Tia Roberta Odontopediatra » A BOQUINHA DO BEBÊ
21
janeiro
2016
Amamentação: orientações sobre a pega correta e posição

Oi gente! Amamentação é um dos meus temas favoritos, vocês sabem né? :) Já escrevi várias vezes sobre o assunto e não me canso. Sempre tenho mais conteúdo quando se trata do mais lindo gesto de amor que uma mãe e um bebê podem viver juntos.

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O momento inicial da amamentação é crucial para a nova mamãe e para o bebê, pois é esse momento que irá definir a forma de alimentação do recém-nascido; muitas vezes as mamães, por falta de orientação, acabam abandonando o ato de amamentar, devido a algumas tentativas frustradas, perdendo a oportunidade de fornecer ao seu filho o que é melhor para ele, tanto no aspecto nutricional como de desenvolvimento do sistema estomatognático. Não me levem a mal, sei que muitas mulheres não amamentam porque não podem realmente, por diversos fatores (mães soropositivas, produção do leite interrompida por fatores emocionais, etc.). Mas devemos sempre levantar a bandeira para a campanha da amamentação, pois é fato que diversas mulheres não amamentam porque não sabem, porque não foram ensinadas ou estimuladas.

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Campanha do Ministério da Saúde com a cantora Wanessa Camargo, incentivando as mulheres a realizarem a amamentação.

O recém-nascido vem ao mundo com o reflexo de sugar e deglutir, o que ajuda na pega correta dos seios. Indica-se que a mãe, antes de iniciar a amamentação, deve massagear a aréola da mama com movimentos circulares, com o objetivo de deixá-la flexível e fácil para a pega do bebê. A posição do bebê deve ser com a cabeça quase que na vertical, uma medida que ajuda a prevenir otites. visto que no recém-nascido as tubas auditivas são mais horizontalizadas e paralelas, e abrem-se direto na faringe, podendo levar o leite que está sendo deglutido para o seu interior caso a cabeça do bebê esteja em uma posição mais horizontal.

O Ministério da Saúde, que sempre realizou campanhas incríveis a favor da amamentação, preconiza que os pontos-chave para a pega adequada são: posicionar a aréola do seio de forma visível acima da boca do bebê; a boca do bebê deve estar bem aberta; o lábio inferior deve ficar virado para fora; e o queixo deve tocar a mama.

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A posição ortostática ou vertical (criança sentada) é uma das adequadas e indicadas para a prática da amamentação natural, sendo citada por diversos autores na literatura. O recém-nascido deve ficar sentado, com as pernas entreabertas. Com a mão em “C”, a mãe deve apoiar o pescoço do bebê, e com a outra mão, oferece a mama. Essa posição é recomendada pois faz o lactente ficar com todo o seu corpo na vertical e então precisa esticar o pescoço para a frente, avançando a mandíbula para realizar a apreensão do mamilo, facilitando inclusive a sua deglutição.

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Em casos que a amamentação natural não consiga ser realizada, deve-se fazer uso da mamadeira. O importante neste tipo de amamentação é que a sucção do bico reproduza o máximo que puder as condições do aleitamento natural, para que a criança desenvolva adequadamente as funções de sucção, respiração e musculares. Para que isso seja conseguido, a mamadeira nunca deve ficar solta, apoiada no peito ou na boca do bebê. Deve ser posicionada com a mão em um ângulo de 45 graus em relação ao corpo. O queixo do bebê deve ficar afastado do bico, para que não impeça os movimentos de sucção e nem dificulte a respiração. O bico deve ser curto e com orifício pequeno. O orifício do bico jamais deve ser aumentado para acelerar a entrada do fluxo de líquido na cavidade bucal, pois isso interfere na deglutição e no estímulo do sistema estomatognático, além de poder contribuir para o desenvolvimento de hábitos orais não nutritivos, já que vai alimentar a criança rapidamente e não vai permitir que a mesma satisfaça toda a sua necessidade de sucção, já que ela está na fase oral, como já vimos em um post anterior (clique aqui para reler).

Bom, por hoje é só! Espero que gostem do texto!  :)

Beijos

 


18
janeiro
2016
A CPI (Cárie da Primeira Infância) e os seus tratamentos

Oi!

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Hoje vou falar sobre a Cárie da Primeira Infância, ou seja, aquela que acomete bebês e crianças bem pequenas, com idade inferior a cinco anos. Normalmente esse tipo de cárie tem caráter bem agressivo e de evolução rápida, o que leva a destruição dos dentinhos logo bem cedo. :( Também abordarei as opções de tratamento para cada evolução da doença!

A cárie da primeira infância (CPI), ou cárie de mamadeira, como popularmente é conhecida, é o motivo principal que leva ao tratamento restaurador de dentes decíduos, devendo este estar associado ao controle dos fatores etiológicos que levaram a doença. Sabemos que na Odontopediatria as sessões motivacionais e de ensino de higiene oral são extremamente importantes no controle do biofilme, e consequentemente, da cárie, e que os tratamentos curativos não são considerados suficientes quando são realizados isoladamente.

O controle dos hábitos alimentares também é um grande aliado no ato de promoção da saúde bucal (já fiz um post sobre hábitos e diário alimentar na Odontopediatria, você pode rever aqui), assim como o uso racional de fluoretos e controle mecânico do biofilme. Porém, muitas vezes não são o suficiente, pois sabemos que o trabalho de cuidar dos dentinhos é feito em uma parceria MAMÃE – CRIANÇA – DENTISTA, e quando um deles falha, acaba sendo necessário o tratamento restaurador.

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A Odontopediatria contemporânea atua com os princípios da odontologia minimamente invasiva, e para isso, o diagnóstico precoce das lesões de cárie é fundamental na preservação das estruturas dentárias. Pelas estatísticas, os dentinhos que são afetados primeiro pela cárie da primeira infância são os incisivos superiores anteriores, seguidos dos molares inferiores e superiores.

O primeiro sinal da lesão de cárie caracteriza-se pela formação de mancha branca nas áreas consideradas mais susceptíveis, que são a região cervical, interproximal e nos sulcos e fissuras de dentes posteriores. A mancha branca pode estar ativa (quando apresenta-se rugosa e opaca) ou inativa (quando apresenta-se lisa e brilhante). Nas lesões inativas, não é indicado nenhum tipo de tratamento, pois não existe mais atividade bacteriana destrutiva naquela região; quando temos somente lesão de mancha branca ativa, o tratamento restaurador não é indicado, pois ainda não possui cavitação clínica. Recomenda-se nessa situação o uso de fluoretos (domiciliar, por meio de dentifrícios fluoretados obedecendo a medida adequada para cada idade, e no consultório) e sessões educativas e motivacionais de controle de biofilme e dos hábitos alimentares, conforme já citamos anteriormente.

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Em lesões cavitadas de esmalte, ocorre uma ruptura da sua superfície, devendo portanto, ser considerado o selamento da cavidade, fossas e fissuras com cimento de ionômero de vidro (preferencialmente) ou resina. Quando ocorrem as lesões cavitadas em dentina, já temos a necessidade de promover restaurações com maior desgaste, devido a natureza destrutiva da lesão. Mas, mesmo assim, as restaurações devem limitar-se a remover o tecido cariado da dentina infectada (que apresenta-se na porção mais externa da lesão, sendo um tecido necrótico, desorganizado, com alto teor bacteriano, amolecido, com coloração amarelada e diminuição da sensibilidade dolorosa), preservando a dentina afetada (aquela que apresenta-se na porção interna da cavidade, é mais endurecida, de coloração mais clara e já provoca sensação dolorosa pois está mais próxima da polpa), como seguem os preceitos da odontologia minimamente invasiva.

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Tanto as lesões de esmalte como as de dentina inativas apresentam uma coloração bastante escurecida, com consistência dura, e ausência de umidade e sensibilidade, não sendo indicada a sua remoção, por se tratar de um tecido que não tem atividade bacteriana, e portanto, não traz malefícios ao paciente. Por questões estéticas e funcionais, deve ser feita a restauração sobre a cavidade formada, restaurando a sua anatomia e função.

Espero que o post tenha sido bastante esclarecedor! Até a próxima!

Tia Roberta


15
janeiro
2016
Flúor: alguns esclarecimentos

Oi! Hoje irei tirar algumas dúvidas sobre o FLÚOR, um dos maiores aliados que temos no consultório. Esses textos abaixo fazem parte de algumas postagens que fiz no IG (@tiarobertaodontopediatra), resolvi juntá-las e montar um texto único para o blog! Dessa forma, vocês podem ter todas as informações reunidas em um só lugar ;)

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O flúor, sem dúvidas, promove um papel fundamental na Odontologia, atuando na prevenção e diminuição da cárie dental. O seu efeito cariostático ocorre pela ação tópica e sistêmica de quem faz o seu uso. Na presença da fluorapatita na superfície dental ao invés da hidroxiapatita, no momento da deposição de cálcio e fosfato, o flúor protege o dente quando ocorre um processo de desmineralização. A presença do flúor na cavidade oral impede que o seu pH chegue no nível crítico (5,5), o que reduz significativamente a formação de lesões de cárie. Os seus métodos de utilização são variados: ele pode ser encontrado na forma de dentifrícios (1.100 ppm), verniz (2.200 ppm), comprimido (1 mg), solução, gel, na água de abastecimento público (0,7 ppm), dentre outros. O profissional deve fazer o uso do flúor como medida preventiva, de acordo com o risco do paciente à cárie, condições de fluoretação na região onde mora, e também idade, pois apesar dos benefícios, o seu uso de forma indevida pode levar à intoxicação, que pode ser aguda ou crônica, onde ocorre a fluorose, que é uma patologia que acomete dentes e ossos, caracterizada pela ingestão diária do flúor por um certo período de tempo.

O que é o FLÚOR?

O flúor é um mineral natural que pode ser encontrado em toda a crosta terrestre e na natureza. Alguns alimentos contém flúor, assim como a água de abastecimento público. Na Odontologia, o flúor contribui drasticamente na redução da incidência de cárie, e por isso ele é adicionado na água potável, nos cremes dentais, bochechos, etc. Ele atua concentrando-se nos ossos em crescimento e dentes em desenvolvimento, trabalhando nos processos de desmineralização e remineralização da cavidade bucal, diminuindo a acidez do pH e contribuindo na prevenção de formação de lesões de cárie.

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O flúor é fundamental na prevenção da doença cárie, contudo, o mais importante não é a quantidade que se incorpora à grade cristalina do esmalte durante a sua formação, mas a sua presença na interface placa-saliva-esmalte, atuando no processo de desmineralização-remineralização (DES-RE).

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Nós sabemos que o flúor, em excesso, provoca toxicidade! Fiquem atentos à esses valores quanto a intoxicação aguda:

Dose Certamente Letal (32-64 mgF/kg)

Dose Seguramente Tolerada (9-16 mgF/kg)

Dose Provavelmente Tóxica (5mgF/kg)

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No dia-a-dia do consultório odontopediátrico, a aplicação de flúor acontece com bastante frequência, já que ele é fundamental para os nossos pequenos que possuem risco ou atividade de cárie! Aqui vai um passo-a-passo sobre o procedimento:

Orientações sobre ATF (Aplicação Tópica de Flúor):

Posicionar o paciente na vertical preferencialmente;

 Realizar a secagem dos dentes;

Orientar o paciente a nunca engolir o flúor;

Utilizar preferencialmente uma moldeira com auxílio do sugador;

Não lavar após a aplicação;

Remover o excesso do flúor com gaze;

Cuspir em 30 segundos;

Não beber ou comer por 30 minutos!

Bom, por enquanto acho que é só! Se alguém tiver alguma outra dúvida sobre o flúor, não hesitem em perguntar, ou por aqui pelo blog ou nas nossas redes sociais (Instagram, Facebook ou Twitter). Beijos!