Tia Roberta Odontopediatra » CUIDANDO DOS DENTINHOS
25
maio
2017
No momento não estamos atendendo!

A Tia Roberta está passando por mudanças! Mudanças muito, muito boas! :) 

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Depois de uma longa espera, fui nomeada no concurso público o qual fui aprovada, e para poder reorganizar os meus horários, jornada de trabalho e também rotina pessoal, resolvi parar os atendimentos do consultório POR ENQUANTO até deixar “a casa em ordem”! Conciliar o meu emprego público com o privado é um projeto meu (e tenho planejado boas mudanças para o blog também, aguardem!).

Quando os atendimentos retomarem, avisarei a todos. Agradeço a compreensão dos meus pacientes tão queridos.

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10
março
2017
Sobre a esfoliação dos dentes decíduos

Quando a criança atinge a idade de 5 a 7 anos (podendo haver variações pra mais ou menos, por isso é muito importante saber a idade em que ocorreram as erupções dos dentes decíduos), as esfoliações dentárias começam a acontecer! Esse período de transição é muito significativo tanto para a criança como para a família toda, pois afeta a rotina com os cuidados bucais e também o convívio social (quem nunca ouviu o famoso “olha só, ele/ela está cheio (a) de janelinhas!”). Tudo se torna uma novidade, até porque quando a primeira esfoliação inicia, o comum é que várias outras se iniciem também logo depois (muito comum em incisivos).

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Os primeiros dentinhos a iniciarem a reabsorção de suas raízes são os incisivos (normalmente os inferiores e depois os superiores, mas podem haver variações que não afetam a normalidade da dentição). O período de reabsorção, desde o seu começo até o fim (que é a esfoliação, ou seja, quando eles saem da arcada dentária), dura em média 3 anos. O processo que “ativa” a reabsorção dos dentes decíduos normalmente se dá por um conjunto de fatores, tais como o desenvolvimentos dos dentes permanentes nos ossos, aumento de força mastigatória devido ao crescimento natural da criança, e perda óssea – este último pode estar relacionado a infecções dentárias, o que muitas vezes, acaba provocando uma esfoliação precoce do dente decíduo em questão.

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Algumas vezes, a erupção do dente permanente (normalmente incisivos inferiores passam por este probleminha), antecede a esfoliação do dente decíduo, ocorrendo uma erupção do permanente por lingual (veja a foto abaixo). Isso pode acontecer quando a força do movimento de erupção do decíduo se direciona em sentido mais lingual do que a posição do dente decíduo (lingual significa por trás). Neste caso, o dente decíduo fica sem a força que dá aquela “ajudinha” para ele sair.

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Mas fiquem tranquilas mamães! Se isso está acontecendo ou já aconteceu com o seu filho, saibam que não afeta em nada na normalidade da dentição e desenvolvimento dos dentes, e quando é feita a devida intervenção, ou seja, a remoção do dentinho no consultório, não atrapalha a oclusão dentária dos dentes permanentes. O importante é ficar bem atento quando isso acontecer, e sempre consultar o Odontopediatra de sua confiança para verificar a necessidade de realizar a extração desse dentinho no consultório ou não.


4
abril
2016
Extração de dentes decíduos – fazer ou não fazer?

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Hoje o assunto é exodontia. Para quem não é da área, é a mesma coisa que extração. A extração dos dentinhos de leite sempre foi um procedimento meio “banalizado” na sociedade, pelo simples argumento: “ah doutora, mas vai trocar mesmo…esse dentinho vai cair, então não adianta tentar salvar”. E acaba que, tanto na rede pública como na privada, existem diversos profissionais que acabam aderindo a essa história de extrair um dentinho cariado, sem ao menos tentar mantê-lo na arcada dentária por mais tempo. Nós, Odontopediatras, que somos especialistas nesses dentinhos que são tão preciosos e importantes para o desenvolvimento e harmonia do sistema estomatognático da criança, sabemos o quanto a sua manutenção é importante, e o tanto que a ausência do mesmo antes da hora pode ser prejudicial. Vou explicar, de forma mais resumida, o porquê:

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Cada dente tem o seu momento de desenvolvimento, erupção e esfoliação; sabemos que uma das mais importantes funções dos dentes decíduos, ou de leite, como são popularmente conhecidos, é servir como guia para a erupção dos dentes permanentes, que são aqueles que acompanharão o seu filho a vida inteira. Quando um dente de leite é removido antes da hora em que ele deveria sofrer a esfoliação fisiológica, isso pode vir a acelerar o processo de erupção do dente permanente sucessor, mesmo quando ele não está maduro o suficiente para erupcionar – o que pode ser prejudicial ao mesmo, podendo gerar até uma perda do elemento, pois sem a formação completa do dente, ele não tem força para suportar a carga mastigatória (eu já tive um caso assim no consultório!); outro fator que pode acontecer é o fechamento do espaço onde viria o dente sucessor, pois os dentes tendem a migrar de encontro com outros dentes para fazer contato, é um processo fisiológico deles mesmo, e na presença de um espaço entre dois dentes, cujo dente permanente não virá tão cedo para preencher, a tendência é que ocorra um fechamento do mesmo, provocando dessa forma uma má oclusão quando ocorrer a erupção do permanente, gerando apinhamentos ou até impactação do permanente, caso o espaço feche demais. E esses são somente alguns exemplos do que pode vir a acontecer…

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Claro que existem alguns casos em que a extração é a única opção curativa para o dente. Existem diversas condições clínicas, não existe receita de bolo para diagnóstico! Por isso que é extremamente importante o exame clínico feito por um profissional. As principais indicações de extração de dentes decíduos são aqueles casos cujos dentes estejam extremamente destruídos por lesão de cárie ou trauma, e o tratamento conservador não seja mais viável; quando a lesão de cárie atingir a bifurcação radicular; quando existir a presença de rarefação óssea persistente (ou seja, após tentativa de tratamento endodôntico – eu também já tive um caso assim!) na região periapical ou inter-radicular; quando ocorrer a ruptura da cripta óssea do germe do sucessor permanente; quando, por trauma, a raiz do dente estiver fraturada; dentes com alveólise; dentes anquilosados e submersos; dentes que estiverem com retenção prolongada na arcada, interferindo na erupção do sucessor permanente; dentes com reabsorção interna avançada, impossibilitando o tratamento endodôntico; raízes residuais.

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Por regra, a Odontopediatria contemporânea pratica uma terapia conservadora onde, primordialmente, deve-se tentar preservar o elemento dentário acima de qualquer decisão. Existem diversas opções de tratamento além do básico “restaurar” ou “extrair”. O tratamento endodôntico mostrou-se, por meio de evidências clínicas e científicas, ser uma excelente opção com resultados bastante satisfatórios, permitindo a preservação do elemento dentário decíduo até o momento de sua esfoliação natural, ou pelo menos, por mais tempo na arcada dentária do que se fizesse a sua remoção imediata. Técnicas de pulpotomia e capeamentos têm sido amplamente considerados também, com as suas devidas indicações, claro. O importante é tentar ser o mais conservador possível, e ter a consciência de que a extração é o último procedimento a ser considerado antes de qualquer outro.

Tia Roberta