Tia Roberta Odontopediatra » Blog Archive » Um desabafo sobre o consumo de açúcar como forma de “carinho”…
19
fevereiro
2016
Um desabafo sobre o consumo de açúcar como forma de “carinho”…

Oi pessoal!

Gostaria de me desculpar pela ausência! Sabem como é, teve Carnaval, a família veio passar uns dias…e acabei ficando ausente do blog. Mas voltei! Hoje vou falar de um assunto muito importante que não diz respeito só às crianças, mas às mamães/papais também: os hábitos alimentares e a troca de afeto entre a família.

untitled

Ontem estava assistindo o Programa Encontro, da Fátima Bernardes (confesso que não assisto esses programas matinais, apesar de algumas pessoas já terem me dito que são muito bons, só que uma blogueira que eu gosto bastante, a Lyvia Mendes do blog Dieta Eterna, esteve lá, então eu quis acompanhar a entrevista), e o tema foi nutrição e como fugir do efeito sanfona. Apareceu uma mãe falando sobre isso, e enquanto ela falava sobre a sua luta com a dieta, não parava de encher a boca do filho de pudim de chocolate. Ela deu dois potes inteiros pra ele e depois ofereceu uma mamadeira (que pelo meu instinto, não tinha só leitinho não, se é que vocês me entendem, até porque a criança parecia ter seus quatro anos e nem devia mais fazer uso de mamadeira…). Eu, como toda pessoa que trabalha com crianças, fiquei observando essa cena estupefata, esperando que alguém levantasse esse fato, ou seja, se a mãe está tão preocupada com o seu peso e o seu corpo, porque não pensa no do seu filho também? A questão acabou sendo levantada pela própria Lyvia (ela teve filho recentemente, e como nutricionista deve ter ficado chocada com a cena), mas passou muito rapidamente, e então voltaram a comentar sobre a dieta da moça em questão. Bom, acho que, assim como foi dito, não adianta ninguém fazer dieta se não percebe que o foco principal não é a perda do peso, ou a estética, mas a SAÚDE, e isso precisa ser um compromisso familiar. E mais sério ainda, que tipo de educação você está dando ao seu filho se permitir que ele se entupa de bobagens de forma regular? Na entrevista, foi mencionado que a mãe associa o doce com o amor, dizendo que para o filho ela dá o “carinho”, enquanto ela tem que ficar na saladinha. Sei que essa mãe não está propositalmente tentando  machucar o seu filho, mas esse conceito de carinho deve ser rapidamente deixado pra trás.

jujuba

Acompanho no consultório essa jornada de “carinho” com alguns pacientes, principalmente quando vão à casa dos avós, que com esses conselhos e ideias antigas acham que dar guloseimas às crianças é sinal de amor. Os pais sofrem com isso e discutem com os avós, que continuam desobedecendo as suas ordens, tornando a situação um ciclo vicioso e provocando conflitos e mágoas desnecessárias. Bom, gente, gostaria realmente de entender o significado desse afeto. Posso estar sendo radical, mas não é clara a posição dos profissionais de saúde, principalmente os que trabalham com nutrição, quanto ao consumo exacerbado do açúcar? E que crianças, principalmente as da mais tenra idade, que estão iniciando a introdução de diversos alimentos, no consumo frequente do açúcar ocorre o aguçamento do seu paladar aos doces? Porque então os pais e responsáveis às vezes não escutam o profissional e acabam oferecendo o doce mesmo assim?

Essa é uma questão milenar e que não tem resposta. Acreditem, já tentei procurar entender. Mas é algo tão antigo que está muito enraizado. Não me levem a mal, não estou banindo os doces da vida das pessoas, mas é que como tudo na vida, o consumo dos mesmos precisa ser equilibrado. Na verdade, precisa ser racional. O doce é o combustível para diversas doenças. Ponto. E o seu consumo em excesso (quando eu digo excesso, não é sentar numa tarde e comer muitos brigadeiros e pronto, mas consumir diariamente, muitas vezes mais do que uma vez ao dia) vai provocar essas doenças. E do meu ponto de vista como Odontopediatra, vai provocar lesões de cárie.

A alimentação também faz parte do ato de educar os seus filhos. Ensiná-lo a amar os alimentos saudáveis e compreender que fazem bem à sua saúde é fundamental, assim como educá-los a entender que as guloseimas só são permitidas em ocasiões especiais, e não na rotina da casa. E o respeito das pessoas da família com a educação que você optar para o seu filho deve ser mantido.

pastilhas

Porque eu estou me metendo na educação dos filhos alheios? Porque depois de um tempo, eles aparecem no meu consultório com diversas lesões de cárie provocadas por essas guloseimas que foram oferecidas por “amor”. Eles aparecem no consultório do pediatra com sobrepeso ou obesidade até. E isso é mais comum do que imaginamos. E, por mais que nós, profissionais, estejamos tentando corrigir isso e educar essas famílias, o erro persiste, e foge totalmente do nosso controle, nos deixando impotentes em algumas das vezes. E aí só nos resta curar aquela feridinha provocada pelo “amor” que alguém deu.

Hoje o post foi só de desabafo, não foi teórico. Tem dias no consultório que a gente ganha a batalha, e tem dias que a gente perde.

Tia Roberta







[pulaalegria] (óculos) (triste) (sorrisão verde) (seta) (piscada) (pensativo) (muito triste) (mega feliz) (malvado) (lingua) (interrogação) (idéia) (gargalhada) (feliz) (exclamação) (envergonhado) (doido) (confuso) (como assim) (chocado) (bravo)