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17
março
2017
Outras coisinhas mais: O quarto de Jack

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Hoje vou usar o meu espaço “Outras coisinhas mais” para falar sobre um filme que mostra a maternidade de forma bem crua e intensa. Não é um filme novo, assisti ele pela primeira vez no ano passado, mas hoje acabei assistindo novamente, e mais uma vez fiquei emocionada por tudo que ele representou pra mim. Alguém mais amou e sofreu com O quarto de Jack?

É um filme adaptado do livro O quarto,  que retrata o lado leoa da mãe, quando ela faz o que for preciso e se submete a qualquer tipo de dor pelo seu filho. A atuação da atriz que representa a Joy, a mulher que foi capturada ainda adolescente e colocada em um cativeiro, conseguiu me tocar de uma forma bem intensa (não é a toa que ela ganhou o Oscar do ano passado). A situação a qual ela cria o Jack, o seu filho, em um quarto minúsculo e escuro, com apenas uma janela no teto para iluminá-los, é uma lição de maternidade e amor, pois ela não deixa ele sofrer, e ensina a ele que existe um mundo bonito por trás de todo o trauma em que ambos vivem. Mesmo tendo sido sequestrada, violentada, e dessa violência, ter concebido essa criança, ela o ama acima de tudo, e não deixa ele perceber o quanto a vida deles é limitada e triste.

Ela cria um mundo próprio para os dois em que eles se exercitam, cantam músicas, estudam, brincam e cuidam um do outro. O Jack ama esse mundo, mesmo sendo horrível para quem está assistindo o filme. Ele encara o mundo lá fora como imaginário, algo que pertence a uma caixa (a televisão), onde ele não pode ir. Ele está bem com essa situação, pois o Quarto é o único mundo que ele conhece. Os elementos lúdicos do filme aparecem para nos confortar do nosso desespero enquanto estamos assistindo essas cenas, como a personagem Dora e os seus poucos brinquedos, além da cena do aniversário dele, que abre o filme. Momento dentista: quem é da área com certeza vai ficar aflito com a cena em que ela perde o dente que estava incomodando-a há vários dias. Ela não poderia ir a um dentista, já que o seu sequestrador não permite ela sair do Quarto, então ficou convivendo com essa dor até que o dente saiu por conta própria (aí nessa hora pensamos logo em infecção + reabsorção alveolar + mobilidade acentuada = perda do dente! Um terror paralelo rsrsrs). Quando eles conseguem sair desse cativeiro (spoiler mode on!), ele rejeita o mundo novo que passa a conhecer, ele prefere voltar ao cativeiro. É uma luta para os dois conviverem com a nova realidade, assim como para a família deles, que achava que ela estava morta.

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Até onde o ser humano, e principalmente, uma mãe, consegue tolerar e se sacrificar em prol da sua cria? Eu acredito que esse foi o ponto que mais me tocou. Não cheguei a ler o livro, mas quem leu me contou que é muito mais tocante e detalhista em relação ao mundo que ambos criaram, a um ponto até que chega a confundir se realmente eles estão tristes ou não naquele ambiente, o que me retorna ao pensamento: o poder de uma mãe em não deixar nada atingir o seu filho, ao ponto dela mesma precisar forjar uma felicidade inexistente para não deixar que qualquer sofrimento chegue até ele é impressionante. Alguns pontos que me deixaram nervosa durante o fime: a claustrofobia constante com aquele ambiente minúsculo em que eles moravam (só de pensar já começo a hiperventilar rsrsrs), e a cena em que o Jack está fora do Quarto, não sabia se torcia por ele ou se chorava de medo dele se perder pra sempre da mãe. A cena do reencontro deles me deixou em lágrimas…

O Quarto de Jack é um dos meus filmes favoritos! Normalmente não sou muito fã de filmes tristes, mas ele não me deixou exatamente triste, me deixou mais emocionada e grata pela força da mulher e pelo dom de poder ser mãe um dia (instinto materno mode oooonrsrsrs). Com certeza o meu lado “leoa” foi ativado!

PS: O que acham da inclusão de resenhas dos meus livros e filmes favoritos na seção “Outras coisinhas mais“? Acho que traz mais leveza e descontração falar de assuntos diversos entre as postagens profissionais! :) Sou uma leitora e cinéfila intensa, são os meus dois maiores hobbies quando não estou trabalhando, além de fazer caminhada, cozinhar e escrever. Vou tentar me ater aos temas que falam de crianças e maternidade! Porque os filmes e romances sobre dentistas são extremamente limitados inexistentes! Risos.

 







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