Tia Roberta Odontopediatra » Blog Archive » Abuso infantil
7
janeiro
2016
Abuso infantil

Vamos hoje falar sobre um assunto bem delicado e muito triste…mas que é uma realidade e precisa ser observado com bastante atenção nos consultórios odontopediátricos: o ABUSO à criança. :(

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O abuso afeta milhares de crianças todos os anos no mundo inteiro, e os danos à saúde provocados estão diretamente relacionados á morbidade na idade adulta. Os profissionais que trabalham com crianças devem estar aptos a identificar e ter o conhecimento de como proceder quando reconhecerem um caso de maus-tratos à criança.

Afinal, o que é considerado abuso de criança? O abuso abrange uma variedade de experiências ameaçadoras e prejudiciais à criança, usualmente sendo classificados em abuso físico, sexual, emocional ou psicológico. Normalmente encontrado em lares violentos e famílias desestruturadas, o abuso ainda gera muitas dúvidas na sua determinação do que é considerado ameaça ou dano, sendo comum a discordância sobre a natureza “abusiva” de algumas experiências vividas pela criança, portanto é muito importante dizer que o papel do profissional Odontopediatra nesses casos é de relatar o possível abuso, mas cabe ao trabalho de uma equipe multidisciplinar responsável definir os cuidados e a avaliação do que é melhor para a criança.

O abuso físico:

É, em geral, a forma de agressão mais facilmente reconhecível na criança. Kempe et al, em 1962, descreveu a Síndrome da Criança Agredida como um quadro clínico de trauma físico em que as lesões não são acidentais, e sim provocadas, e a explicação da lesão dada pelos pais não é consistente com o quadro clínico observado. Cerca de 50% das agressões resultam em danos na cabeça e na face, e 25% na região da boca ou ao seu redor, podendo facilmente ser reconhecidas pelo cirurgião-dentista.

O abuso sexual:

O abuso sexual é o termo que denota qualquer ação de estímulo sexual imprópria para a idade e/ou nível de desenvolvimento cognitivo. Atos abrangem desde beijos, exibicionismo, carícias até relações carnais, pornografia e estupro. Traumas na boca podem ser resultantes de contato sexual.

O abuso emocional ou psicológico:

Esta é uma preocupação de muitos anos, pois é bem difícil estabelecer definições e normas para identificar este tipo de abuso. As agressões verbais ou emocionais envolvem interações ou a sua falta por parte do responsável, provocando danos à personalidade, bem-estar e desenvolvimento da criança. Geralmente pode ocorrer sob diversas formas e em tempo prolongado. Isolamento continuado, rejeição, degradação, regime de terror, corrupção, exploração e recusa de afeto fazem parte dos tipos de abuso emocional ou psicológico que provocam sérios danos à vida da criança.

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Como identificar abusos infantis:

Os abusos físicos são os mais fáceis de identificar pela sua percepção visual, e o indicador principal que leva a pensar que foi abuso e não um acidente é quando a história contada pelo responsável não está coincidindo com o que está sendo visto clinicamente pelo profissional. Marcas bem características (como a palma de uma mão, por exemplo) também levantam fortes suspeitas. Queimaduras de cigarros também demonstram claramente um abuso físico. O comportamento da criança também é algo a ser notado quando existem suspeitas de abuso; crianças retraídas, depressivas, com pobre rendimento escolar, regressão no desenvolvimento, afeto inapropriado por estranhos ou desconfiança extrema são sinais que devem ser analisados.

No âmbito da Odontologia, o profissional que se deparar com uma situação de possível abuso, deve realizar um exame bucal e físico detalhado na criança, assim como uma anamnese bem completa, combinando as informações necessárias. Em casos de traumas visíveis, argumentar e questionar do mesmo, realizando anotações detalhadas da situação, e preferencialmente relatadas por mais de uma fonte, cujas respostas devem ser as mais amplas possíveis, evitando respostas simples como SIM ou NÃO. O profissional deve, na medida do possível, falar com a criança sobre o fato ocorrido, contudo é muito importante ter a noção de que o objetivo do questionário não é para INVESTIGAR o paciente e seu responsável, e sim, detalhar um fato, cabendo a outros profissionais mais qualificados que você apurar e classificar a veracidade da situação. Se, ao final deste questionário, você tiver suspeitas concretas de que houve qualquer tipo de abuso infantil, não hesite em denunciar. Caso seja possível, é interessante tirar fotos das regiões das lesões, pois algumas tendem a desaparecer rápido.

Hemorragia palatal provocada por contato orogenital.

Hemorragia palatal provocada por contato orogenital. Fotografia retirada do livro Odontopediatria para crianças e adolescentes, do McDonald & Avery.

Marcas e lesões suspeitas de abuso (todas são facilmente visualizadas pelo Cirurgião-Dentista):

Septo nasal desviado ou sangue coagulado no nariz;

Alopecia sem causa médica aparente;

Equimose periorbital, ptose, pupilas desviadas ou desiguais;

Lesões dentro ou atrás da orelha;

Contusões com forma de objetivos (cinto, corda ou chicote);

Pescoço com marcas de mãos ou corda;

Marcas de mordida;

Avulsões dentárias ou outros traumas como intrusão, luxações, etc;

Freio labial superior rompido por criança que ainda não sabe andar;

Ruptura do freio lingual;

Contusões ou petéquias no palato duro e mole.

Você pode ler como se faz a denúncia no Brasil no site da Unicef, neste link aqui. No site fala da importância de denúncia e dos lugares que se pode ligar, como Vara da Infância e da Juventude, Conselhos Tutelares e também no Disque 100, onde se pode denunciar em sigilo absoluto.

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A pesquisa para este post foi feita no livro do McDonald & Avery, o Odontopediatria para crianças e adolescentes. Espero que tenha sido esclarecedor e que tenha despertado em vocês a importância deste assunto tão delicado.

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Tia Roberta







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