Tia Roberta Odontopediatra
26
fevereiro
2016
O ciclo de desenvolvimento dentário

Bom dia!

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Hoje resolvi fazer um post bem teórico, visto que o último foi mais pessoal. Vamos conhecer um pouco a respeito do desenvolvimento dos dentes? Pra quem não sabe, os dentes iniciam o seu desenvolvimento ainda na gestação, a partir da sexta semana de vida embrionária. Por isso que existe todo um trabalho enfatizando a importância da gestante em frequentar o dentista, e preferencialmente, realizar um pré-natal odontológico, visando a saúde bucal dela mesma e do seu bebê.

Conforme dito acima, a partir da sexta semana, é possível notar a presença de células na camada basal do epitélio bucal, proliferando-se de forma mais rápida, gerando assim um espessamento nesse epitélio na região onde serão as futuras arcadas dentárias. O resultado desse espessamento dá início à criação do que se chama lâmina dentária, e surgem ao longo dessa lâmina, dez tumefações no formato esférico ou ovóide em cada arcada. Essas tumefações correspondem aos dentes decíduos superiores e inferiores do bebê.

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Os molares permanentes, curiosamente, também se formam a partir da lâmina dentária, juntamente com os decíduos. Isso justifica o porque da erupção dos primeiros molares antes dos outros permanentes, quando a criança está na faixa etária de 5 a 7 anos, aproximadamente, e também porque os molares permanentes não possuem antecessores igual os outros dentes. Já os outros dentes permanentes (incisivos, caninos e pré-molares) originam-se de botões dos seus dentes decíduos respectivos.

Quando ocorre a ausência de um dente (agenesia), isso se dá pela falta de iniciação ou então interrupção na proliferação das células neste estágio acima citado, o primeiro de todos, que é chamado de Estágio de Botão. A presença de dentes supranumerários, por outro lado, ocorre pela proliferação continuada.

O próximo estágio do desenvolvimento dental chama-se Estágio de Capuz, pois a proliferação celular em crescimento desigual dá um formato de capuz, surgindo uma invaginação rasa na superfície do botão. Nessa fase, se ocorre alguma deficiência na proliferação celular, resulta em um fracasso no desenvolvimento no germe dentário, podendo ocorrer agenesias, enquanto o excesso pode provocar a presença de restos epiteliais, que mais tardiamente, podem vir a transformar-se em cistos, por exemplo, ou dentes supranumerários.

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O estágio seguinte chama-se Estágio de Campânula, em que, novamente, o epitélio atinge esse formato, ocorrendo uma diferenciação das células em odontoblastos e ameloblastos, marcando o fim da proliferação. Nessa fase ocorre a estruturação do elemento dentário. Nesse momento é que, caso haja alguma deficiência, resulta nos defeitos de esmalte e dentina. As células começam também a dar forma e tamanho dos dentes, podendo ocorrer distúrbios de formato como dentes conoides, macrodontia, etc.

Por fim, tem-se a aposição e a calcificação dos dentes, onde ocorre a deposição de uma matriz tecidual, seguindo da mineração por precipitação de sais inorgânicos, finalizando o ciclo de desenvolvimento do dente e iniciando a sua mineralização.

Espero que gostem da leitura! Bom final de semana a todos.

 

 


19
fevereiro
2016
Um desabafo sobre o consumo de açúcar como forma de “carinho”…

Oi pessoal!

Gostaria de me desculpar pela ausência! Sabem como é, teve Carnaval, a família veio passar uns dias…e acabei ficando ausente do blog. Mas voltei! Hoje vou falar de um assunto muito importante que não diz respeito só às crianças, mas às mamães/papais também: os hábitos alimentares e a troca de afeto entre a família.

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Ontem estava assistindo o Programa Encontro, da Fátima Bernardes (confesso que não assisto esses programas matinais, apesar de algumas pessoas já terem me dito que são muito bons, só que uma blogueira que eu gosto bastante, a Lyvia Mendes do blog Dieta Eterna, esteve lá, então eu quis acompanhar a entrevista), e o tema foi nutrição e como fugir do efeito sanfona. Apareceu uma mãe falando sobre isso, e enquanto ela falava sobre a sua luta com a dieta, não parava de encher a boca do filho de pudim de chocolate. Ela deu dois potes inteiros pra ele e depois ofereceu uma mamadeira (que pelo meu instinto, não tinha só leitinho não, se é que vocês me entendem, até porque a criança parecia ter seus quatro anos e nem devia mais fazer uso de mamadeira…). Eu, como toda pessoa que trabalha com crianças, fiquei observando essa cena estupefata, esperando que alguém levantasse esse fato, ou seja, se a mãe está tão preocupada com o seu peso e o seu corpo, porque não pensa no do seu filho também? A questão acabou sendo levantada pela própria Lyvia (ela teve filho recentemente, e como nutricionista deve ter ficado chocada com a cena), mas passou muito rapidamente, e então voltaram a comentar sobre a dieta da moça em questão. Bom, acho que, assim como foi dito, não adianta ninguém fazer dieta se não percebe que o foco principal não é a perda do peso, ou a estética, mas a SAÚDE, e isso precisa ser um compromisso familiar. E mais sério ainda, que tipo de educação você está dando ao seu filho se permitir que ele se entupa de bobagens de forma regular? Na entrevista, foi mencionado que a mãe associa o doce com o amor, dizendo que para o filho ela dá o “carinho”, enquanto ela tem que ficar na saladinha. Sei que essa mãe não está propositalmente tentando  machucar o seu filho, mas esse conceito de carinho deve ser rapidamente deixado pra trás.

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Acompanho no consultório essa jornada de “carinho” com alguns pacientes, principalmente quando vão à casa dos avós, que com esses conselhos e ideias antigas acham que dar guloseimas às crianças é sinal de amor. Os pais sofrem com isso e discutem com os avós, que continuam desobedecendo as suas ordens, tornando a situação um ciclo vicioso e provocando conflitos e mágoas desnecessárias. Bom, gente, gostaria realmente de entender o significado desse afeto. Posso estar sendo radical, mas não é clara a posição dos profissionais de saúde, principalmente os que trabalham com nutrição, quanto ao consumo exacerbado do açúcar? E que crianças, principalmente as da mais tenra idade, que estão iniciando a introdução de diversos alimentos, no consumo frequente do açúcar ocorre o aguçamento do seu paladar aos doces? Porque então os pais e responsáveis às vezes não escutam o profissional e acabam oferecendo o doce mesmo assim?

Essa é uma questão milenar e que não tem resposta. Acreditem, já tentei procurar entender. Mas é algo tão antigo que está muito enraizado. Não me levem a mal, não estou banindo os doces da vida das pessoas, mas é que como tudo na vida, o consumo dos mesmos precisa ser equilibrado. Na verdade, precisa ser racional. O doce é o combustível para diversas doenças. Ponto. E o seu consumo em excesso (quando eu digo excesso, não é sentar numa tarde e comer muitos brigadeiros e pronto, mas consumir diariamente, muitas vezes mais do que uma vez ao dia) vai provocar essas doenças. E do meu ponto de vista como Odontopediatra, vai provocar lesões de cárie.

A alimentação também faz parte do ato de educar os seus filhos. Ensiná-lo a amar os alimentos saudáveis e compreender que fazem bem à sua saúde é fundamental, assim como educá-los a entender que as guloseimas só são permitidas em ocasiões especiais, e não na rotina da casa. E o respeito das pessoas da família com a educação que você optar para o seu filho deve ser mantido.

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Porque eu estou me metendo na educação dos filhos alheios? Porque depois de um tempo, eles aparecem no meu consultório com diversas lesões de cárie provocadas por essas guloseimas que foram oferecidas por “amor”. Eles aparecem no consultório do pediatra com sobrepeso ou obesidade até. E isso é mais comum do que imaginamos. E, por mais que nós, profissionais, estejamos tentando corrigir isso e educar essas famílias, o erro persiste, e foge totalmente do nosso controle, nos deixando impotentes em algumas das vezes. E aí só nos resta curar aquela feridinha provocada pelo “amor” que alguém deu.

Hoje o post foi só de desabafo, não foi teórico. Tem dias no consultório que a gente ganha a batalha, e tem dias que a gente perde.

Tia Roberta


3
fevereiro
2016
Hidratação infantil

Oi gente!

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Hoje vou falar sobre a necessidade de hidratação dos nossos pequenos. Nem preciso comentar o quanto estamos todos sofrendo com as altas temperaturas nessa época do ano, né? Aprendi recentemente em uma leitura que fiz sobre algumas restrições e regrinhas básicas que devem ser seguidas em relação à ingestão de líquidos das crianças (leia-se água, sucos, etc) e resolvi passar essas informações aqui pra vocês, no intuito de que passem adiante essa informação para as mamães no consultório ou então apliquem no dia-a-dia dos seus filhotes!

Em termos de hidratação infantil, a água vence por unanimidade nos conceitos dos especialistas, sendo o seu consumo, portanto, incentivado o máximo possível. Percebe-se que no dia-a-dia corrido, os pais, por se cansarem da insistência exaustiva com os filhos de tomarem água, acabam recorrendo à outros líquidos para garantir a sua hidratação, mas eles não devem ser vistos como substitutos, pois muitos, como o suco natural da fruta, por exemplo, não são indicados a bebês até 1 ano. É muito importante que saibamos quais dessas bebidas devemos utilizar como aliadas sem prejudicar a nutrição da criançada.

Sabe-se amplamente que, até os primeiros 6 meses, a única alimentação do bebê deve ser o leite materno, e a água está dispensada. A partir de 6 meses, ela torna-se essencial, para garantir as funções corretas dos sistemas do nosso organismo. Dos 7 aos 12 meses, a água deve ser ingerida na quantidade de 800ml fracionados em pequenas quantidades ao longo do dia, devendo portanto ser oferecida constantemente pelos pais/responsáveis. Após completar 1 ano, a demanda da água aumenta para 1.300ml por dia, permanecendo nessa quantidade até os 3 anos. Dos 3 aos 8 anos essa quantidade aumenta novamente, para 1.700ml.

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Mas e os sucos naturais? Os sucos devem ser evitados antes do bebê completar 1 ano, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Essa precaução se dá pelo fato de que os sucos concentram muita frutose, o açúcar natural das frutas, induzindo o organismo a produzir muita insulina, o que pode vir a contribuir para o desenvolvimento de diabetes e obesidade no futuro. A frutinha amassada e na forma de papa pode ser consumida com tranquilidade. Ao completar 1 ano e até os 3, a criança pode consumir cerca de 100ml a 150ml de suco por dia (parece ser pouco, mas lembre que o estômago do seu bebê é pequenino em comparação ao seu). Aproveite as frutas da estação, e procure variar sempre, pois isso ajuda a desenvolver o paladar do seu bebê. Evite adoçar os sucos, mas caso seja necessário, opte pelo açúcar orgânico demerara ou mascavo, mas lembre que esse “inofensivo” açúcar pode provocar a doença cárie caso não seja feita a higienização adequada após a sua ingestão (não é porque o tema não é de “dentes” que eu não vou puxar a orelha de vocês hehehe). Após os 3 anos, a quantidade de suco ingerida pode ser aumentada para 200ml a 240ml.

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A água de coco é uma delícia, mas não deve ser oferecida como substituta da água. Lembrem-se que, apesar de saudável, ela possui uma alta quantidade de glicose, e calorias em excesso. Porém, quando ingerida com moderação, a água de coco é muito benéfica, pois é rica em minerais, como potássio e fósforo. Ela deve ser incluída na conta de mililitros permitidos de suco, e não na de água, como às vezes os adultos pensam.

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O suco industrializado não deve ser uma opção antes dos 3 anos especialmente, pois tem grande concentração de açúcar. Após os 3 anos, deve-se liberar em ocasiões especiais – como festas de aniversário e viagens – mas não devem ser ingeridos na rotina da casa. O café e chás também não são opções consideradas adequadas para crianças, principalmente o café por se tratar de um estimulante com a cafeína. Se você insistir no café para o seu filho, insira na sua rotina a partir dos 3 anos, mas em pequena dose, pequena mesmo – um ou dois goles no máximo. A partir dos 6 anos, a criança pode tomar em doses maiores, mas ainda com moderação – uma xícara por dia é o limite. Os chás não agregam valor nutricional na dieta da criança, mas são amplamente utilizados para fins terapêuticos, como os clássicos hortelã, camomila ou erva-doce (esses são considerados seguros), mas a quantidade também deve ser dosada com cautela.

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Refrigerante, não preciso nem falar, né gente? Não tem valor nutricional nenhum, e é riquíssimo em açúcar (RISCO DE CÁRIE NOTA MIL!). Recomenda-se que não dê a bebida para os pequenos menores que dois anos, e após essa idade, caso queira dar, que seja somente em eventualidades messsssmo (aniversários, etc). Convença-se dos malefícios e abandone essa ideia de dar refrigerante ao seu filhote! Se você é “refém” do refrigerante como eu fui (me permito atualmente só um copinho nos sábados, que é quando como alguma coisinha mais gorda, tipo uma pizza, por exemplo. Nos domingos, já estou firme e forte na minha reeducação alimentar! Foi assim que consegui encontrar o equilíbrio para ESQUECER o refrigerante na minha vida! O meu objetivo final é nem tomar mais esse copinho), aconselho você a se libertar desse terrível mal da humanidade, assim como eu fiz!

Bom pessoal, o que eu queria falar sobre hidratação infantil fica por aqui. Para mais dúvidas, consultem os profissionais de sua confiança. Esclarecer antes de iniciar qualquer hábito, é fundamental!

Beijos!