Tia Roberta Odontopediatra » aids pediátrica
7
abril
2017
XV Jornada de Odontologia e IV Congresso de Saúde e Bem-estar da Universidade CEUMA

CEUMA Universidade

O final do ano foi extremamente atípico e corrido pra mim. Dentre alguns contratempos de saúde na família, também prestei um concurso público no final de novembro, o que me manteve muito ocupada durante vários meses que antecederam a prova – não curto fazer prova só por fazer, então quando decido prestar um concurso, me dedico com afinco, não me cobrando aprovação, e sim, a resolução da prova com consciência. E sim, eu passei no concurso! :). Mas na verdade essa minha introdução foi para justificar que em outubro de 2016 eu tive a grande honra de participar da XV Jornada de Odontologia e o IV Congresso de Saúde e Bem-estar da Universidade Ceuma, e acabei não fazendo um post sobre o assunto. A Universidade Ceuma fica em São Luís – MA (onde eu nasci) e foi onde eu me formei e trabalhei posteriormente como professora da Graduação da Odontologia por aproximadamente 5 anos. Nem preciso dizer a felicidade que eu fiquei, né? Tive o grande prazer de ter sido convidada pela organizadora do evento, a minha grande amiga Andrezza Maciel, que além de ser uma profissional suuuuper competente, é um ser humano lindo. A professora Andrezza e a Universidade Ceuma, o meu muito obrigada!

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O motivo do convite foi mais que especial: ela leu um dos meus posts aqui do blog e gostou bastante da minha abordagem e do tema, e achou que uma aula sobre o assunto seria bem pertinente e inédito para a edição do Congresso. O tema foi “Aids pediátrica e as suas manifestações bucais” (reveja o post aqui). O evento foi simplesmente lindo e tudo foi impecável. A minha palestra abriu o primeiro dia, o que foi uma grande responsabilidade, e ao mesmo tempo felicidade! Pude rever antigos amigos e colegas de profissão, que não via há quase 3 anos! Foi um momento de pura alegria.

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Montar uma aula com o tema Aids pediátrica foi ao mesmo um aprendizado e algo que me deixou bem tocada nos dias em que estive estudando intensamente o assunto. Não é algo que nos deparamos constantemente no consultório, mas pode acontecer – e com maior frequência do que desejamos! Eu nunca tinha lido sobre esse tema com tanto afinco, portanto o sentimento que tive ao cumprir essa missão que me foi dada foi de imensa bagagem profissional. Fui até lá para dar uma aula, mas acho que fui quem mais aprendeu. As pesquisas nos livros, artigos, sites e nos órgãos responsáveis por este problema de saúde pública (leia-se Ministério da Saúde), foram bem intensas e me agregaram muito conteúdo.

Espero que todos que assistiram tenham ficado satisfeitos como eu! :)


1
fevereiro
2016
A AIDS pediátrica e as suas manifestações bucais

Oi pessoal!

Início de semana significa…vamos com tudo! Hoje abordarei um tema que não vemos muito nos livros, mas me chamou a atenção na última leitura que fiz. Vamos hoje falar sobre AIDS PEDIÁTRICA.

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A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma condição sistêmica de deficiência imunológica provocada pelo vírus do HIV (Vírus da Imunodeficiênca Humana), podendo gerar diversas manifestações no indivíduo, inclusive algumas significativas na cavidade bucal. O vírus faz parte do grupo Retroviridae e Lentiviridae, necessitando da presença de uma enzima chamada trancriptase reversa para multiplicar-se. Essa enzima é responsável pela transcrição do RNA viral, integrando-se ao genoma do hospedeiro e podendo ser encontrado em diversas secreções, como soro, sangue, sêmen, lágrima, urina, secreções do ouvido e vaginal, leite materno, etc.

Ao entrar em contato com o corpo humano, o HIV afeta os glóbulos brancos, o que reduz a resposta imune e favorece infecções por meio de bactérias, fungos e vírus. Existe uma leve diferença dos sintomas dos adultos e crianças, já que as mesmas possuem um sistema imunológico imaturo, o que provoca uma maior possibilidade de contração de infecções; sendo assim, as manifestações bucais podem ser evidenciadores da doença, pois as mesmas são facilmente diagnosticadas.

HIV

O termo “AIDS pediátrica” é usado quando a infecção pelo HIV ocorre em indivíduos de 0 a 13 anos; cerca de 90% das crianças adquirem o vírus pelas suas mães (transmissão vertical), podendo ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação pelo leite materno. Outros casos de crianças contaminadas pelo HIV são as hemofílicas, receptoras de transfusão sanguínea, crianças que sofreram abuso sexual ou usaram drogas injetáveis.

Nos EUA, mais precisamente no Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), foram incluídas algumas manifestações estomatológicas nos critérios para classificação da AIDS pediátrica combinando com outros marcadores da progressão da doença, auxiliando no seu diagnóstico. Os primeiros relatos sobre AIDS em crianças já mencionavam a presença de lesões como candidose sugerirem quadros de imunodeficiência. É muito importante que seja avaliada a condição sistêmica da criança; as principais manifestações que sugerem o diagnóstico de AIDS são: hipertemia intermitente, inapetência, emagrecimento, linfoadenopatia generalizada, medo, ansiedade, euforia, nervosismo, depressão, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, cegueira, diarreia recorrente ou crônica, hepatoesplenomegalia, otite média, encefalopatia, miocardiopatia, síndrome nefrótica, púrpura trombocitopênica, cefaleia, etc.

Existem lesões bucais que são comumente associadas à infecção pediátrica pelo HIV, como já foi dito anteriormente. Elas classificam-se de acordo com o seu agente etiológico: as lesões fúngicas (candidose orofaríngea), lesões virais (herpes recorrente e leucoplasia pilosa); doenças periodontais (eritema linear gengival), doença das glândulas salivares (hipertrofia da glândula parótida), e outras lesões multifatoriais (úlceras aftosas recorrentes, cárie, petéquias, sarcoma de Kaposi, linfoma não Hodgkin, hipoplasia de esmalte, condiloma acuminado e impactação dental).

Candidose.

Candidose.

A xerostomia tem sido frequentemente associada e relatada por indivíduos portadores do HIV, podendo ocorrer em decorrência do uso de medicamentos. A diminuição do fluxo salivar contribui para o crescimento de fungos, em especial a Candida albicans e a Candida dubliniensis. Nesses casos devem ser tomadas as medidas para a manutenção da saúde bucal, como o uso de substitutos de saliva, redução na ingestão de carboidratos fermentáveis, higiene bucal intensa e uso de fluoretos.

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Caso queiram saber sobre as manifestações bucais e detalhes da AIDS pediátrica sugiro que façam a leitura do capítulo 14 do livro Odontopediatria: Prática de saúde baseada em evidências, do Imparato.

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Beijos!

Uma boa semana a todos.