Tia Roberta Odontopediatra » alimentação
11
março
2016
Método BLW

Hoje vou discorrer sobre uma sigla que me deparei no meio das minhas pesquisas diárias…BLW. Já havia lido rapidamente sobre o assunto, porém só agora tive a curiosidade de ler mais a fundo. O método BLW (Baby Led Weaning, que se traduz como Desmame Conduzido Pelo Próprio Bebê), consiste em permitir que o bebê coma com as próprias mãos, sozinho, os alimentos inteiros ou pedaços grandes. É uma metodologia alternativa no ato de introdução aos sólidos.

blw

Não existindo colher, papinha ou alimentos amassados, o bebê senta na mesa com a família e participa do ato de alimentar-se conjuntamente. Os alimentos precisam ter um tamanho e formato que facilite que ele pegue com as mãos, podendo assim, escolher o que come, dentre os diversos que são colocados ao seu alcance. Tudo no seu tempo e quantidade escolhidos. A filosofia baseia-se no fato de que alimentar-se bem não significa quantidades grandes, mas sim, a qualidade do alimento e do ato de se alimentar – ou seja, as famosas “brigas” pra comer que às vezes as mamães se deparam com os filhos no dia-a-dia não existem no método BLW. O bebê basicamente participa ativamente do processo de escolha da sua refeição, conferindo a ele também outro ponto importante da sua educação, que é a autonomia e responsabilidade de tomar as suas próprias decisões, ou seja, comer o que quer e do jeito que quer. A coordenação motora do bebê também é bastante trabalhada, visto que ele precisa usar as mãos para se alimentar.

O BLW foi desenvolvido pela inglesa Gill Rapley e ganhou força rapidamente devido a sua metodologia de introdução dos alimentos sólidos, que deve iniciar a partir dos 6 meses (idade preconizada pelos Pediatras); ele vem crescendo nas famílias, principalmente no exterior (no Brasil ainda é uma novidade, e muitas vezes causa estranheza entre profissionais e responsáveis), tornando-se a forma prioritária de introdução dos alimentos frente às dificuldades que os pais encontram ao iniciar a alimentação sólida dos filhos, que muitas vezes apresentam resistência em comer tudo que é oferecido a ele. Mas atente-se a alguns detalhes antes de achar que encontrou a solução para os seus problemas: quem se torna adepto do método BLW precisa saber que paciência é a palavra-chave para o seu sucesso, pois como comentamos anteriormente, o ato de alimentação no método BLW depende praticamente todo da iniciativa do bebê. O ato de descobrir os alimentos, tocá-los, sentir o seus diferentes cheiros, gostos e consistência ajuda a aguçar os sentidos do seu filho, mas é um processo que pode ser demorado e, para ter sucesso, não pode ser apressado (já que precisa ser feito no tempo do bebê), portanto, nada de ter pressa. E é preciso saber também que o processo de comer com as próprias mãos vai gerar uma certa “baguncinha” na cozinha ou sala de jantar, porque o bebê, além de ficar lambuzado, vai eventualmente derrubar alguma comida no chão, o que é natural.

Método-BLW-suj

Sem sombra de dúvidas, uma das grandes vantagens do método é a melhoria na alimentação dos próprios pais, que não precisam ficar dando a comida na boca dos filhos. Ambos podem comer ao mesmo tempo e curtir uma refeição prazerosa e quentinha – as mamães agradecem rsrs…estudos mostram que a qualidade do alimento que os pais ingerem também tende a melhorar, já que os filhos se espelham nos pais para comer, e todos comem junto à mesa; a família de uma maneira geral acaba por ingerir mais leguminosos, frutas e alimentos com menor quantidade de sal. Para quem já tem crianças em casa, o método consegue ser introduzido com mais facilidade, pois sabemos que crianças mais novas sempre tentam imitar as mais velhas, portanto, o bebê vai querer comer igual o seu irmãozinho.

Atente-se também a esse ponto muito importante! Não é porque o método BLW preza pela autonomia do bebê, que o ato de alimentação do mesmo deve ser feito sem a supervisão de um adulto. Esteja sempre ao lado do seu bebê quando ele estiver comendo e fique ligado na possibilidade de engasgamento, que pode vir a acontecer, pois o bebê ainda está aprendendo a se alimentar com os sólidos. Os alimentos, mesmo que sólidos, devem ser moles, sem ossos ou cartilagens (carnes devem ser liberados primeiro pelo Pediatra), e nada de temperos muito fortes, como pimentas e especiarias semelhantes. No mais, vale a pena arriscar e perceber o que o seu filho se identifica mais, quais são as preferências alimentares dele.

blw_home

E aí, vai tentar?

Tia Roberta


19
fevereiro
2016
Um desabafo sobre o consumo de açúcar como forma de “carinho”…

Oi pessoal!

Gostaria de me desculpar pela ausência! Sabem como é, teve Carnaval, a família veio passar uns dias…e acabei ficando ausente do blog. Mas voltei! Hoje vou falar de um assunto muito importante que não diz respeito só às crianças, mas às mamães/papais também: os hábitos alimentares e a troca de afeto entre a família.

untitled

Ontem estava assistindo o Programa Encontro, da Fátima Bernardes (confesso que não assisto esses programas matinais, apesar de algumas pessoas já terem me dito que são muito bons, só que uma blogueira que eu gosto bastante, a Lyvia Mendes do blog Dieta Eterna, esteve lá, então eu quis acompanhar a entrevista), e o tema foi nutrição e como fugir do efeito sanfona. Apareceu uma mãe falando sobre isso, e enquanto ela falava sobre a sua luta com a dieta, não parava de encher a boca do filho de pudim de chocolate. Ela deu dois potes inteiros pra ele e depois ofereceu uma mamadeira (que pelo meu instinto, não tinha só leitinho não, se é que vocês me entendem, até porque a criança parecia ter seus quatro anos e nem devia mais fazer uso de mamadeira…). Eu, como toda pessoa que trabalha com crianças, fiquei observando essa cena estupefata, esperando que alguém levantasse esse fato, ou seja, se a mãe está tão preocupada com o seu peso e o seu corpo, porque não pensa no do seu filho também? A questão acabou sendo levantada pela própria Lyvia (ela teve filho recentemente, e como nutricionista deve ter ficado chocada com a cena), mas passou muito rapidamente, e então voltaram a comentar sobre a dieta da moça em questão. Bom, acho que, assim como foi dito, não adianta ninguém fazer dieta se não percebe que o foco principal não é a perda do peso, ou a estética, mas a SAÚDE, e isso precisa ser um compromisso familiar. E mais sério ainda, que tipo de educação você está dando ao seu filho se permitir que ele se entupa de bobagens de forma regular? Na entrevista, foi mencionado que a mãe associa o doce com o amor, dizendo que para o filho ela dá o “carinho”, enquanto ela tem que ficar na saladinha. Sei que essa mãe não está propositalmente tentando  machucar o seu filho, mas esse conceito de carinho deve ser rapidamente deixado pra trás.

jujuba

Acompanho no consultório essa jornada de “carinho” com alguns pacientes, principalmente quando vão à casa dos avós, que com esses conselhos e ideias antigas acham que dar guloseimas às crianças é sinal de amor. Os pais sofrem com isso e discutem com os avós, que continuam desobedecendo as suas ordens, tornando a situação um ciclo vicioso e provocando conflitos e mágoas desnecessárias. Bom, gente, gostaria realmente de entender o significado desse afeto. Posso estar sendo radical, mas não é clara a posição dos profissionais de saúde, principalmente os que trabalham com nutrição, quanto ao consumo exacerbado do açúcar? E que crianças, principalmente as da mais tenra idade, que estão iniciando a introdução de diversos alimentos, no consumo frequente do açúcar ocorre o aguçamento do seu paladar aos doces? Porque então os pais e responsáveis às vezes não escutam o profissional e acabam oferecendo o doce mesmo assim?

Essa é uma questão milenar e que não tem resposta. Acreditem, já tentei procurar entender. Mas é algo tão antigo que está muito enraizado. Não me levem a mal, não estou banindo os doces da vida das pessoas, mas é que como tudo na vida, o consumo dos mesmos precisa ser equilibrado. Na verdade, precisa ser racional. O doce é o combustível para diversas doenças. Ponto. E o seu consumo em excesso (quando eu digo excesso, não é sentar numa tarde e comer muitos brigadeiros e pronto, mas consumir diariamente, muitas vezes mais do que uma vez ao dia) vai provocar essas doenças. E do meu ponto de vista como Odontopediatra, vai provocar lesões de cárie.

A alimentação também faz parte do ato de educar os seus filhos. Ensiná-lo a amar os alimentos saudáveis e compreender que fazem bem à sua saúde é fundamental, assim como educá-los a entender que as guloseimas só são permitidas em ocasiões especiais, e não na rotina da casa. E o respeito das pessoas da família com a educação que você optar para o seu filho deve ser mantido.

pastilhas

Porque eu estou me metendo na educação dos filhos alheios? Porque depois de um tempo, eles aparecem no meu consultório com diversas lesões de cárie provocadas por essas guloseimas que foram oferecidas por “amor”. Eles aparecem no consultório do pediatra com sobrepeso ou obesidade até. E isso é mais comum do que imaginamos. E, por mais que nós, profissionais, estejamos tentando corrigir isso e educar essas famílias, o erro persiste, e foge totalmente do nosso controle, nos deixando impotentes em algumas das vezes. E aí só nos resta curar aquela feridinha provocada pelo “amor” que alguém deu.

Hoje o post foi só de desabafo, não foi teórico. Tem dias no consultório que a gente ganha a batalha, e tem dias que a gente perde.

Tia Roberta


21
janeiro
2016
Amamentação: orientações sobre a pega correta e posição

Oi gente! Amamentação é um dos meus temas favoritos, vocês sabem né? :) Já escrevi várias vezes sobre o assunto e não me canso. Sempre tenho mais conteúdo quando se trata do mais lindo gesto de amor que uma mãe e um bebê podem viver juntos.

Almofada-para-Amamentação-1

O momento inicial da amamentação é crucial para a nova mamãe e para o bebê, pois é esse momento que irá definir a forma de alimentação do recém-nascido; muitas vezes as mamães, por falta de orientação, acabam abandonando o ato de amamentar, devido a algumas tentativas frustradas, perdendo a oportunidade de fornecer ao seu filho o que é melhor para ele, tanto no aspecto nutricional como de desenvolvimento do sistema estomatognático. Não me levem a mal, sei que muitas mulheres não amamentam porque não podem realmente, por diversos fatores (mães soropositivas, produção do leite interrompida por fatores emocionais, etc.). Mas devemos sempre levantar a bandeira para a campanha da amamentação, pois é fato que diversas mulheres não amamentam porque não sabem, porque não foram ensinadas ou estimuladas.

campanhanacionaldeamamentacao2014_volneimorastoni

Campanha do Ministério da Saúde com a cantora Wanessa Camargo, incentivando as mulheres a realizarem a amamentação.

O recém-nascido vem ao mundo com o reflexo de sugar e deglutir, o que ajuda na pega correta dos seios. Indica-se que a mãe, antes de iniciar a amamentação, deve massagear a aréola da mama com movimentos circulares, com o objetivo de deixá-la flexível e fácil para a pega do bebê. A posição do bebê deve ser com a cabeça quase que na vertical, uma medida que ajuda a prevenir otites. visto que no recém-nascido as tubas auditivas são mais horizontalizadas e paralelas, e abrem-se direto na faringe, podendo levar o leite que está sendo deglutido para o seu interior caso a cabeça do bebê esteja em uma posição mais horizontal.

O Ministério da Saúde, que sempre realizou campanhas incríveis a favor da amamentação, preconiza que os pontos-chave para a pega adequada são: posicionar a aréola do seio de forma visível acima da boca do bebê; a boca do bebê deve estar bem aberta; o lábio inferior deve ficar virado para fora; e o queixo deve tocar a mama.

boa-pega

A posição ortostática ou vertical (criança sentada) é uma das adequadas e indicadas para a prática da amamentação natural, sendo citada por diversos autores na literatura. O recém-nascido deve ficar sentado, com as pernas entreabertas. Com a mão em “C”, a mãe deve apoiar o pescoço do bebê, e com a outra mão, oferece a mama. Essa posição é recomendada pois faz o lactente ficar com todo o seu corpo na vertical e então precisa esticar o pescoço para a frente, avançando a mandíbula para realizar a apreensão do mamilo, facilitando inclusive a sua deglutição.

MeuDiaDMãe_Amamentar.2gif

Em casos que a amamentação natural não consiga ser realizada, deve-se fazer uso da mamadeira. O importante neste tipo de amamentação é que a sucção do bico reproduza o máximo que puder as condições do aleitamento natural, para que a criança desenvolva adequadamente as funções de sucção, respiração e musculares. Para que isso seja conseguido, a mamadeira nunca deve ficar solta, apoiada no peito ou na boca do bebê. Deve ser posicionada com a mão em um ângulo de 45 graus em relação ao corpo. O queixo do bebê deve ficar afastado do bico, para que não impeça os movimentos de sucção e nem dificulte a respiração. O bico deve ser curto e com orifício pequeno. O orifício do bico jamais deve ser aumentado para acelerar a entrada do fluxo de líquido na cavidade bucal, pois isso interfere na deglutição e no estímulo do sistema estomatognático, além de poder contribuir para o desenvolvimento de hábitos orais não nutritivos, já que vai alimentar a criança rapidamente e não vai permitir que a mesma satisfaça toda a sua necessidade de sucção, já que ela está na fase oral, como já vimos em um post anterior (clique aqui para reler).

Bom, por hoje é só! Espero que gostem do texto!  :)

Beijos