Tia Roberta Odontopediatra » crianças
24
abril
2016
Sobre fazer o que ama e encontrar a liberdade…

Hoje o assunto não vai ser científico, e sim, pessoal. Como fundadora do site Tia Roberta Odontopediatra, me sinto na liberdade de usar o espaço como um desabafo ocasionalmente. Rs

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Pensei que a luta pela liberdade fosse algo só meu. Mas, a cada leitura que faço, a cada conversa que tenho, percebo que a tal liberdade, tão sonhada por tantos, é mais difícil de ser conquistada do que se pensa…mas afinal, o que falta para sermos plenamente felizes?

Fazer o que se ama é um privilégio. Poucos tem a oportunidade de não ser invadidos e contaminados pelo mundo exterior, e optar pela realização dos sonhos ao invés do que é mais conveniente, do que é mais fácil. A maioria toma o caminho mais rápido. Não condeno, fui essa pessoa por muitos anos da minha vida. E, aos 29 anos, tive uma oportunidade de ouro. Fiquei cinco meses sem trabalhar, vivendo um momento de reflexão pós-casamento-mudança de cidade. Assim, sem mais nem menos, abandonei a minha carreira que já era estável (eu era professora universitária, tinha um consultório particular, um emprego público, e ainda fui empresária de uma franquia de roupas para complementar a renda…não preciso dizer que financeiramente estava bem, né?) para seguir uma vida nova junto do meu amor, para realizar o sonho dele, que era assumir o tão sonhado emprego que ele conseguiu (ele passou em um concurso público), e como efeito colateral, realizar o meu sonho também: ser esposa dele. Fui criticada por alguns, respeitada por vários. A minha família me apoiou incondicionalmente e me incentivou a ir viver com o meu namorado (que virou marido depois disso). Nesse momento de alforria, de poder, pela primeira vez, fazer o que eu queria, ao invés do que eu deveria, me peguei em um momento de descoberta, de auto-conhecimento, e sinto que me tornei uma pessoa mais forte e madura hoje em dia por isso. Vivi um momento “Comer Rezar Amar”, só que sem precisar viajar. Aconteceu no meu singelo lar. Me libertei das dietas (e acabei engordando um pouco por isso) e outros sacrifícios diários que fazia em nome da beleza exterior, fiquei em maior contato comigo mesma espiritualmente, praticando yoga, frequentando a igreja e lendo livros de espiritismo (não sou espírita, sou católica, mas adoro romances espíritas), e vivi fortemente a lua-de-mel com o meu marido…cozinhava pra ele, arrumava a casa pra ele, cuidava dele. Vivi pra mim e pra ele durante esse momento. Foi maravilhoso. Mas aí veio o vazio, o que é natural de quem sempre teve uma vida agitada como a minha. E eu me perguntei: o que eu quero fazer da minha vida?

Eu sabia que seria dentista incondicionalmente e acima de qualquer situação que vivesse. Sentia falta de atender pacientes, esculpir restaurações, enfim…atuar na minha profissão. Só que não queria voltar a atuar onde eu atuava. Eu trabalhava na área de Cirurgia desde sempre, era professora dessa disciplina e outras afins (como Anatomia e Anestesiologia), fiz Mestrado em Odontologia na São Leopoldo Mandic com área de concentração em Prótese sobre Implantes, e basicamente havia dedicado toda a minha carreira a essa área. Acabei me decepcionando. A minha insegurança também não contribuía para que eu continuasse. Normalmente cirurgiões trabalham em equipe, e eu não conhecia ninguém na cidade que eu morava (na época era Passos – MG). Não. Eu queria uma coisa nova, uma coisa que fizesse o meu coração bater forte novamente. Pensei muito sobre o que eu poderia fazer. Era estética? Eu sempre achei estética muito bonito, mas confesso que ainda não era isso…mas o que seria? O que poderia fazer eu me empolgar novamente com a Odontologia?…

Eu já sabia o que era. No fundo sabia, porque pesquisava sobre isso desde antes de me mudar. Inclusive já havia pesquisado, em 2013, e sabia que tinha campo para a Odontopediatria na maior clínica odontológica da cidade em que morei (e que, um ano depois, seria a que eu ia trabalhar e iniciar a minha carreira como Odontopediatra)…fiz então uma viagem para o Rio de Janeiro com os meus pais. Foi um divisor de águas. Conversei com a minha mãe lá, nessa viagem, sobre o meu desejo de ser igual a ela, que é Pediatra. Queria trabalhar com crianças e dedicar a minha carreira à elas. Sempre fui uma mulher maternal. Sempre soube que, independente do que acontecesse, eu seria mãe (ainda não sou, mas a maternidade vai acontecer pra mim no seu tempo certo).

A minha mãe me apoiou de imediato. Ela sempre me entendeu como ninguém. E me incentivou fortemente a correr atrás desse sonho. Aí então, lá no Rio de Janeiro mesmo, comecei a pesquisar pós-graduações de Odontopediatria. Foi um pouco difícil, pois sabemos o quanto a Odontopediatria ainda é escassa em alguns lugares. Eu queria um lugar que fosse próximo da cidade que eu morava, pra ser mais fácil e financeiramente mais viável. Voltei dessa viagem contando pro meu marido dos meus planos. No começo ele ficou receoso, pois ainda estávamos (e estamos) vivendo momentos de instabilidade financeira, e ele ficou com medo da especialização pesar no nosso orçamento. Essa preocupação é natural. Quando eu expliquei a ele, e ele compreendeu o quanto eu precisava disso, dessa realização profissional, ele não hesitou em querer que eu fosse feliz, que eu fosse realizada. E a ele eu sou grata também eternamente pelo apoio. Então, após diversas pesquisas, conversar com algumas pessoas, etc…tomamos a conclusão que a São Leopoldo Mandic seria a faculdade mais próxima, mais viável, e sinceramente, melhor. É uma instituição maravilhosa e sou muito grata por ter estudado lá. Em junho, mais precisamente no dia 12/06/14 (dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo), eu estava matriculada na especialização em Odontopediatria. Foi uma longa jornada pra eu conseguir essa vaga, a turma estava lotada, e eu ia ter que esperar a turma do ano seguinte…mas então teve uma desistência e lá estava eu. Tive essa notícia de primeira mão de ninguém menos que o Professor Imparato (mestre querido). Eu estava nas nuvens.

E desde então a minha vida foi evoluindo e fui me dedicando com mais afinco cada vez mais à Odontopediatria. Foi tudo muito apaixonante. A faculdade não poderia ser mais bonita. Apanhei um pouco no início para entender os conceitos da Odontopediatria atual (eu sou da época que achava que qualquer paciente deveria fazer Aplicação Tópica de Flúor), mas eventualmente as coisas foram entrando na minha cabeça. E, após muitas pesquisas, finalmente compreendi o cenário atual do nosso país e o meu papel como Odontopediatra para tornar a realidade das nossas crianças melhor.

Finalizei a minha pós-graduação em outubro, com alguns altos e baixos, mas finalizei muito feliz e realizada. Na época, já estava em Uberlândia e atendendo no meu atual consultório (quem já viu a cadeira cor-de-rosa sabe onde é rsrsrs). Eu amo o que eu faço. Não significa que eu sinto que já concluí tudo o que eu queria – muito pelo contrário, a realização na Odontopediatria me dá margem a ser extremamente curiosa e querer sempre inovar na minha área e estudar cada vez mais. Sinto que trabalhar com crianças me dá asas a uma criatividade que eu não tinha antes na Odontologia. Atualmente, paralelamente ao meu trabalho do consultório, mantenho este site, que eu amo e me dedico muito, além das minhas redes sociais. Também estou escrevendo um livro infantil em parceria com a Letícia Destêrro – minha assessora de mídias sociais, idealizadora da minha marca, e por acaso (realmente, isso é só um detalhe), é a minha prima. É a primeira vez que falo sobre esse projeto aqui. Em breve trago rascunhos dessa obra de amor que estamos criando. Penso também em criar uma linha de t-shirts para crianças com tema odontológico…mas isso é algo para outro post e outro momento. Não estou trabalhando com isso ainda.

Eu sempre fui uma pessoa criativa, um pouco “artística”, vamos dizer assim. Não me contento em trabalhar só na área científica, mas também não consigo ficar sem ela. Quanto tive um loja de roupas, resolvi, por decisão própria, me dedicar a uma marca feminina de meninas e adolescentes. No posto de saúde que eu trabalhava, no Maranhão, adorava os dias que eu atendia a criançada da comunidade da Vila Itamar. Trabalhar com crianças sempre foi a minha vocação. Que pena (ou que bom) que eu descobri isso um pouco depois. Prefiro pensar que descobri na hora certa. Na hora que eu estava preparada e madura para descobrir. Hoje, valorizo muito esse meu amor. O amor é além da Odontopediatria em si, é pelos pequenos mesmo. Assino a revista “Crescer” e leio de capa a capa todos os meses quando ela chega. Leio livros de maternidade e desenvolvimento infantil. Não me prendo a parte odontológica. Me prendo ao que se refere á criança, seja o desenvolvimento físico ou psicológico. Atualmente tenho lido muito sobre vegetarianismo infantil, educação holística…voltei a praticar a Yoga, aquele excesso de peso que comentei lá no começo do post já foi embora e há três meses tenho vivido com uma alimentação saudável e balanceada que tem mudado muito o meu modo de ver o mundo e as pessoas….vamos ver o que vem a seguir. A minha mente trabalha a mil por hora e está em constante mudança.

Eu sou assim.

Roberta Nascimento


7
janeiro
2016
Abuso infantil

Vamos hoje falar sobre um assunto bem delicado e muito triste…mas que é uma realidade e precisa ser observado com bastante atenção nos consultórios odontopediátricos: o ABUSO à criança. :(

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O abuso afeta milhares de crianças todos os anos no mundo inteiro, e os danos à saúde provocados estão diretamente relacionados á morbidade na idade adulta. Os profissionais que trabalham com crianças devem estar aptos a identificar e ter o conhecimento de como proceder quando reconhecerem um caso de maus-tratos à criança.

Afinal, o que é considerado abuso de criança? O abuso abrange uma variedade de experiências ameaçadoras e prejudiciais à criança, usualmente sendo classificados em abuso físico, sexual, emocional ou psicológico. Normalmente encontrado em lares violentos e famílias desestruturadas, o abuso ainda gera muitas dúvidas na sua determinação do que é considerado ameaça ou dano, sendo comum a discordância sobre a natureza “abusiva” de algumas experiências vividas pela criança, portanto é muito importante dizer que o papel do profissional Odontopediatra nesses casos é de relatar o possível abuso, mas cabe ao trabalho de uma equipe multidisciplinar responsável definir os cuidados e a avaliação do que é melhor para a criança.

O abuso físico:

É, em geral, a forma de agressão mais facilmente reconhecível na criança. Kempe et al, em 1962, descreveu a Síndrome da Criança Agredida como um quadro clínico de trauma físico em que as lesões não são acidentais, e sim provocadas, e a explicação da lesão dada pelos pais não é consistente com o quadro clínico observado. Cerca de 50% das agressões resultam em danos na cabeça e na face, e 25% na região da boca ou ao seu redor, podendo facilmente ser reconhecidas pelo cirurgião-dentista.

O abuso sexual:

O abuso sexual é o termo que denota qualquer ação de estímulo sexual imprópria para a idade e/ou nível de desenvolvimento cognitivo. Atos abrangem desde beijos, exibicionismo, carícias até relações carnais, pornografia e estupro. Traumas na boca podem ser resultantes de contato sexual.

O abuso emocional ou psicológico:

Esta é uma preocupação de muitos anos, pois é bem difícil estabelecer definições e normas para identificar este tipo de abuso. As agressões verbais ou emocionais envolvem interações ou a sua falta por parte do responsável, provocando danos à personalidade, bem-estar e desenvolvimento da criança. Geralmente pode ocorrer sob diversas formas e em tempo prolongado. Isolamento continuado, rejeição, degradação, regime de terror, corrupção, exploração e recusa de afeto fazem parte dos tipos de abuso emocional ou psicológico que provocam sérios danos à vida da criança.

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Como identificar abusos infantis:

Os abusos físicos são os mais fáceis de identificar pela sua percepção visual, e o indicador principal que leva a pensar que foi abuso e não um acidente é quando a história contada pelo responsável não está coincidindo com o que está sendo visto clinicamente pelo profissional. Marcas bem características (como a palma de uma mão, por exemplo) também levantam fortes suspeitas. Queimaduras de cigarros também demonstram claramente um abuso físico. O comportamento da criança também é algo a ser notado quando existem suspeitas de abuso; crianças retraídas, depressivas, com pobre rendimento escolar, regressão no desenvolvimento, afeto inapropriado por estranhos ou desconfiança extrema são sinais que devem ser analisados.

No âmbito da Odontologia, o profissional que se deparar com uma situação de possível abuso, deve realizar um exame bucal e físico detalhado na criança, assim como uma anamnese bem completa, combinando as informações necessárias. Em casos de traumas visíveis, argumentar e questionar do mesmo, realizando anotações detalhadas da situação, e preferencialmente relatadas por mais de uma fonte, cujas respostas devem ser as mais amplas possíveis, evitando respostas simples como SIM ou NÃO. O profissional deve, na medida do possível, falar com a criança sobre o fato ocorrido, contudo é muito importante ter a noção de que o objetivo do questionário não é para INVESTIGAR o paciente e seu responsável, e sim, detalhar um fato, cabendo a outros profissionais mais qualificados que você apurar e classificar a veracidade da situação. Se, ao final deste questionário, você tiver suspeitas concretas de que houve qualquer tipo de abuso infantil, não hesite em denunciar. Caso seja possível, é interessante tirar fotos das regiões das lesões, pois algumas tendem a desaparecer rápido.

Hemorragia palatal provocada por contato orogenital.

Hemorragia palatal provocada por contato orogenital. Fotografia retirada do livro Odontopediatria para crianças e adolescentes, do McDonald & Avery.

Marcas e lesões suspeitas de abuso (todas são facilmente visualizadas pelo Cirurgião-Dentista):

Septo nasal desviado ou sangue coagulado no nariz;

Alopecia sem causa médica aparente;

Equimose periorbital, ptose, pupilas desviadas ou desiguais;

Lesões dentro ou atrás da orelha;

Contusões com forma de objetivos (cinto, corda ou chicote);

Pescoço com marcas de mãos ou corda;

Marcas de mordida;

Avulsões dentárias ou outros traumas como intrusão, luxações, etc;

Freio labial superior rompido por criança que ainda não sabe andar;

Ruptura do freio lingual;

Contusões ou petéquias no palato duro e mole.

Você pode ler como se faz a denúncia no Brasil no site da Unicef, neste link aqui. No site fala da importância de denúncia e dos lugares que se pode ligar, como Vara da Infância e da Juventude, Conselhos Tutelares e também no Disque 100, onde se pode denunciar em sigilo absoluto.

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A pesquisa para este post foi feita no livro do McDonald & Avery, o Odontopediatria para crianças e adolescentes. Espero que tenha sido esclarecedor e que tenha despertado em vocês a importância deste assunto tão delicado.

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Tia Roberta


30
junho
2015
Ser Odontopediatra é…
parte1
A Odontopediatria exige mais que esforço, mais que dedicação. É preciso também ter dom, vocação, e ter o amor completamente incondicional pelas crianças. Sim, incondicional, porque tem dias que elas estão bem e dias que não. Tem dias que você recebe chutes, palavrões, cuspidas e mordidas no dedo. E tem dias que, desse mesmo pacientinho, você recebe abraços calorosos e beijos molhados! E é preciso amar as crianças nas duas situações. Em um atendimento, é preciso ter a tolerância e paciência de uma mãe, assim como a firmeza para educar e cuidar. Lidar com crianças não é uma ciência exata; não existe fórmula mágica. E apesar de todos os percalços, posso dizer hoje, que sou muito realizada e tenho muita sorte de ter escolhido o caminho que escolhi! Eu nasci para cuidar de crianças e sou totalmente entregue à missão que Deus designou pra mim.
parte 2
Claro que tem dias que nós não estamos tão dispostos a dar um sorriso. É natural. Mas essa regra não se aplica à Odontopediatria. A criança sempre vai esperar de você um afago, um carinho. Mesmo nos seus dias mais difíceis. E um dos grandes desafios da Odontopediatria é saber deixar os problemas em casa e levar para o trabalho apenas sentimentos positivos. Normalmente, mesmo nos meus dias mais tensos, o amor que recebo das crianças me preenche de forma que ameniza, e algumas vezes, até supera qualquer problema. Até porque para o Odontopediatra não tem nada mais satisfatório do que um abraço gostoso no final do atendimento. Ou aquele paciente que chorou durante várias sessões, e hoje abre o “bocão de jacaré” com o maior gosto, mostrando pra você o quanto está empenhado em cuidar dos dentinhos. Esse sentimento de satisfação é inigualável! E no final, tudo fica mais leve. Essa é a principal dádiva da Odontopediatria; a leveza e pureza das crianças!
parte 3
E não adianta ser “adulto”. O Odontopediatra precisa ser lúdico, ligado no mundo infantil. Precisa gostar de sentar no chão e brincar, ler livros infantis, cantar músicas dos desenhos animados da moda, ter brinquedos e cores no consultório. Só assim o seu pacientinho vai achar você legal, confiável, amigo. Não adianta você ter pressa em atender vários pacientes para ter mais giro no consultório. Tem paciente que vai te tomar duas horas de atendimento; tem aqueles que vão só pra “brincar” com você. E a brincadeira faz parte do seu trabalho. Não tem jeito; Odontopediatra precisa gostar de brincar! E não é gostoso? Tem coisa mais deliciosa do que viver no mundo lúdico e fazer disso a sua profissão? Eu acho que não tem coisa melhor. É o maior privilégio da minha vida poder estar rodeada de crianças e poder me sentir uma de vez em quando!
parte 4
Ser Odontopediatra vai além do básico “diagnosticar-executar”. Envolve inovação, criatividade, psicologia, tato. É preciso estar sempre atualizando-se com o que anda acontecendo no mundo infantil: Elsa, Peppa, George, Dora, Simba, Nemo, Olaf e todos os outros personagens infantis tornam-se seus íntimos amigos e você falará deles constantemente no seu consultório! E o atendimento? A máscara precisa ter nariz de palhaço, as touquinhas precisam ser coloridas, os jalecos precisam ter estampas? É preciso ter bichos de pelúcia pendurados no refletor e brinquedos espalhados pelo consultório para que se consiga atender uma criança? Não, claro que não! Nada disso é obrigatório e nem te torna “mais” Odontopediatra que o outro profissional. Nada supera o conhecimento. Mas se a prática do ludoatendimento (atendimento com bases lúdicas) cientificamente comprova que acelera o condicionamento e a aceitação da criança no consultório, porque não usar? Então, vamos inovar!
parte 5
Odontopediatra tem que ter mesmo um “quê” de mãe, que é se desprender de todo tipo de paranóia com organização constante. Porque criança faz bagunça. Criança gosta de mexer e explorar. Criança faz “xixi”, “cocô” e vomita também. E muitas vezes fará em seu consultório e até no seu colo (aconteceu essa semana comigo rsrsrs). E você vai precisar limpar e organizar tudo de volta várias vezes ao dia, entre os atendimentos. E você não pode ficar zangado com a criança que explora o seu consultório. Nem tem o direito, na verdade, isso se chama bom senso. Crianças são crianças e devem ser respeitadas por quem são, e nunca devemos proibi-las de viver a sua essência, a sua energia. É claro que limites precisam ser impostos, no consultório e em casa, pelos pais e por você. A criança precisa ser livre, mas precisa ser educada. Portanto, ela não pode quebrar objetos em seu consultório, chutar, cuspir no chão e derrubar as coisas propositalmente. Mas abrir gavetas, espalhar os brinquedos, pegar no seu espelhinho clínico, mexer nos seus cartões de visita e tirar da ordem as suas escovas e cremes dentais ela pode. Porque ela está explorando quando faz isso, e se você a permitir ela irá adquirir uma confiança no seu consultório e em você. Portanto, deixe-a à vontade! Esse gesto será benéfico na sua relação não só com ela, mas com a família inteira também! E irá repercutir positivamente no seu atendimento.
parte 6
Porque todo Odontopediatra tem um instinto materno/paterno mais aguçado do que o das outras pessoas que não trabalham com crianças. Esse é o sentimento mais básico  e mais verdadeiro que surge quando você pega um pacientinho no colo, ou quando recebe aquele abraço apertado no final do atendimento. A magia de trabalhar com crianças transborda em você o mais puro amor, que é o de uma mãe/pai pelo seu filho! Tanto que quem começa na Odontopediatria sem jeito para carregar criança vai aprender. O “nojinho” do xixi e da caquinha do bebê que você sente você vai perder, da mesma forma que uma mãe perde e se acostuma com as baguncinhas do dia-a-dia de uma criança. A sua disposição de brincar no chão, a criatividade que com o tempo passa a florescer nas suas conversas, nas suas músicas (sim, aquelas que você inventa repentinamente e o seu paciente adora!), e tudo o mais que surge na sua rotina de trabalho tem a ver com o seu domínio das técnicas de psicologia em Odontopediatria sim, mas em partes também se dão devido ao seu instinto que, quer queira ou não, existe lá dentro de você, mesmo se você não quiser ter filhos no momento ou na vida. É inegável, irrevogável e cientificamente comprovado, além de ser bom demais!
parte 7
Ser Odontopediatra é ser maleável. Você precisa impor limites aos seus pacientes, mas um pouco de carinho não faz mal a ninguém. O Odontopediatra precisa ser doce, saber acalentar, e precisa, dentro dos limites do aceitável, tornar os seus pacientinhos felizes o máximo possível. É claro que eles não ficarão felizes na hora da anestesia, ou do “motorzinho”. São nesses momentos que você precisa mostrar a sua firmeza sem perder a meiguice, a leveza e o afeto. Até na hora de brigar é preciso um pouco de “morde e assopra”. Lembre que o seu papel é de educador também, e hostilidade não serve para educar ninguém. A criança precisa de regras, mas também de carinho. O carinho faz parte da conquista, do desenvolvimento da confiança. O seu pacientinho quer uma luva? Dê a ele. Significa que ele quer ser igual a você. Tem condicionamento melhor que esse? Encoraja ele a se aproximar do seu ambiente, do seu mundo. E deixe-o dividir o dele com você. Ouça as suas histórias, as suas fantasias. Essa mescla é o ponto principal da relação dos dois, e o resultado disso é puro sucesso no atendimento, e no futuro da saúde bucal da criança.
parte 8
Ser Odontopediatra é também compreender que você não levará uma medalha pra casa sempre. Que cada dia se mata um leão. Os momentos bons existirão, e com bastante frequência, e trarão a você uma imensa satisfação. Mas os maus dias…esses virão também, muitas vezes inesperadamente, e serão arrebatadores e podem te deixar bem pra baixo. É muito importante que se tenha em mente que ser um excelente profissional (e isso vale para todas as áreas, não só a Odontopediatria) é dar o melhor de si, utilizando o seu esforço, conhecimento técnico-científico e a sua vocação para aquele ofício, e isso não significa necessariamente que você conseguirá fazer o trabalho mais perfeito, principalmente ao se tratar de crianças, em que você precisa se desdobrar para conseguir executar os procedimentos em muitos dos casos. Portanto, tenha sempre ORGULHO de si, independente do dia em que estiver vivendo. Aquela restauração não saiu tão bonitinha como você queria? Mas o paciente era bebê, se debatia e chorava muito, vomitou na sua sala, mordeu o seu dedo, pulava loucamente na cadeira e você fez o que pôde naquela situação? Então tenha orgulho de si! Pois tem muitos profissionais que nessas mesmas situações nem isso conseguem fazer. Pense sempre em melhorar, é FATO, você nunca deve achar que o seu trabalho já atingiu o maior nível de excelência. Esteja sempre atualizando-se para dar o melhor para os seus pacientes. Mas lembre-se que para a Odontopediatria não existe fórmula mágica, e procure enxergar sempre o lado positivo de qualquer situação. E não esqueçam: tenham sempre muito orgulho de si no final do dia!