Tia Roberta Odontopediatra » flúor
15
janeiro
2016
Flúor: alguns esclarecimentos

Oi! Hoje irei tirar algumas dúvidas sobre o FLÚOR, um dos maiores aliados que temos no consultório. Esses textos abaixo fazem parte de algumas postagens que fiz no IG (@tiarobertaodontopediatra), resolvi juntá-las e montar um texto único para o blog! Dessa forma, vocês podem ter todas as informações reunidas em um só lugar ;)

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O flúor, sem dúvidas, promove um papel fundamental na Odontologia, atuando na prevenção e diminuição da cárie dental. O seu efeito cariostático ocorre pela ação tópica e sistêmica de quem faz o seu uso. Na presença da fluorapatita na superfície dental ao invés da hidroxiapatita, no momento da deposição de cálcio e fosfato, o flúor protege o dente quando ocorre um processo de desmineralização. A presença do flúor na cavidade oral impede que o seu pH chegue no nível crítico (5,5), o que reduz significativamente a formação de lesões de cárie. Os seus métodos de utilização são variados: ele pode ser encontrado na forma de dentifrícios (1.100 ppm), verniz (2.200 ppm), comprimido (1 mg), solução, gel, na água de abastecimento público (0,7 ppm), dentre outros. O profissional deve fazer o uso do flúor como medida preventiva, de acordo com o risco do paciente à cárie, condições de fluoretação na região onde mora, e também idade, pois apesar dos benefícios, o seu uso de forma indevida pode levar à intoxicação, que pode ser aguda ou crônica, onde ocorre a fluorose, que é uma patologia que acomete dentes e ossos, caracterizada pela ingestão diária do flúor por um certo período de tempo.

O que é o FLÚOR?

O flúor é um mineral natural que pode ser encontrado em toda a crosta terrestre e na natureza. Alguns alimentos contém flúor, assim como a água de abastecimento público. Na Odontologia, o flúor contribui drasticamente na redução da incidência de cárie, e por isso ele é adicionado na água potável, nos cremes dentais, bochechos, etc. Ele atua concentrando-se nos ossos em crescimento e dentes em desenvolvimento, trabalhando nos processos de desmineralização e remineralização da cavidade bucal, diminuindo a acidez do pH e contribuindo na prevenção de formação de lesões de cárie.

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O flúor é fundamental na prevenção da doença cárie, contudo, o mais importante não é a quantidade que se incorpora à grade cristalina do esmalte durante a sua formação, mas a sua presença na interface placa-saliva-esmalte, atuando no processo de desmineralização-remineralização (DES-RE).

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Nós sabemos que o flúor, em excesso, provoca toxicidade! Fiquem atentos à esses valores quanto a intoxicação aguda:

Dose Certamente Letal (32-64 mgF/kg)

Dose Seguramente Tolerada (9-16 mgF/kg)

Dose Provavelmente Tóxica (5mgF/kg)

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No dia-a-dia do consultório odontopediátrico, a aplicação de flúor acontece com bastante frequência, já que ele é fundamental para os nossos pequenos que possuem risco ou atividade de cárie! Aqui vai um passo-a-passo sobre o procedimento:

Orientações sobre ATF (Aplicação Tópica de Flúor):

Posicionar o paciente na vertical preferencialmente;

 Realizar a secagem dos dentes;

Orientar o paciente a nunca engolir o flúor;

Utilizar preferencialmente uma moldeira com auxílio do sugador;

Não lavar após a aplicação;

Remover o excesso do flúor com gaze;

Cuspir em 30 segundos;

Não beber ou comer por 30 minutos!

Bom, por enquanto acho que é só! Se alguém tiver alguma outra dúvida sobre o flúor, não hesitem em perguntar, ou por aqui pelo blog ou nas nossas redes sociais (Instagram, Facebook ou Twitter). Beijos!


24
julho
2015
A doença cárie

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Hoje iremos falar um pouquinho sobre um problema de Saúde Pública que invade a casa de várias famílias, independentemente do nível sócio-econômico: a doença cárie (sim, é considerada uma doença!). Ela é causada por um processo que envolve a perda dos sais minerais dentários em resposta aos ataques ácidos diários decorrentes da ingestão de alimentos, especialmente o açúcar. A sua manifestação pode ocorrer a qualquer momento da vida, porém tem a sua prevalência mais comum em crianças e jovens. Ela é a principal causadora de problemas de saúde bucal na infância; os levantamentos epidemiológicos tem mostrado valores impactantes da cárie na sociedade, especialmente em crianças menores de cinco anos na zona rural. A literatura aponta diversos efeitos negativos da doença na primeira infância, afetando o bem-estar, qualidade de vida e interação social. A bactéria principal causadora da cárie é o Streptococus mutans, e este associado ao acúmulo de placa bacteriana e consumo frequente de alimentos ricos em sacarose formam um padrão de desenvolvimento da doença.

O estudo da doença cárie é chamado de Cariologia, e tem como sua base para desenvolvimento a Tríade de Keyes, que possui tem 3 vertentes consideradas fatores primordiais para a sua existência (ou seja, sem eles não têm como existir cárie!): o hospedeiro suscetível, que é basicamente a pessoa com a higiene bucal insuficiente; a microbiota cariogênica, que são as bactérias presentes na placa bacteriana (que é o acúmulo de sujeira formado a partir da falta de higienização); e a dieta contendo carboidrato, em especial a sacarose, que é o “alimento” da bactéria, e é o que vai gerar a desmineralização do dente promovendo as lesões cavitadas. Ainda existe uma quarta vertente em uma versão atualizada dessa tríade que inclui o tempo, pois todo esse processo de formação da cárie é lento e depende do tempo para se iniciar! Portanto, mamães, fiquem atentas à esses fatores! O segredo é prevenir.

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Focando na Odontopediatria, existe uma terminologia diferenciada da doença cárie que acomete exclusivamente crianças na primeira infância, que se chama cárie precoce da infância, e popularmente é conhecida como cárie de mamadeira. Essa nomenclatura específica para a doença cárie se dá para aqueles casos de crianças que têm o hábito de mamar durante a madrugada e adormecem sem fazer a higienização da boca. Elas costumam ser bem agressivas e evoluem rapidamente! A cárie, de uma maneira geral, caracteriza-se pela desmineralização do dente causada por bactérias que se alimentam de restos alimentares encontrados na boca, principalmente os carboidratos fermentáveis – açúcar e amido (portanto doces em geral, bolo, salgadinhos e biscoitos estão na “lista de perigo”).

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Inicialmente as lesões aparecem como manchas brancas nas superfícies dos dentes que possuem um maior acúmulo de placa bacteriana. Quando são detectadas, medidas imediatas são tomadas como mudança na dieta, intensificação da higiene bucal, aplicações tópicas de flúor, etc. Por isso que as visitas regulares ao Odontopediatra são tão valiosas, para que o mesmo possa detectar lesões quando ainda estiverem no seu início, sem chegar ao ponto de destruir os dentinhos! Agora, atenção mamães: apesar do nome popular, esse tipo de lesão de cárie não se forma somente com o uso da mamadeira! Crianças que mamam no peito também estão sujeitas, pois o leite materno também pode causar a formação de lesões de cárie, já que é rico em açúcar! Portanto, qual é a melhor maneira de evitar a formação de cárie precoce na infância? Assim que começar a erupção dos dentinhos do seu bebê, inicie imediatamente a higienização com o uso de escovinhas e escove regularmente após as refeições/mamadas com o uso de creme dental COM flúor na concentração a partir de 1.100 ppm, obedecendo as medidas de 1 grão de arroz cru para crianças que não sabem cuspir e 1 grão de ervilha para crianças que cospem. Seguindo essas medidas preventivas, você estará assegurando que o seu filhote não sofra desse mal e estará favorecendo para que ele sempre tenha o seu desenvolvimento com saúde, pois criança para ser saudável precisa ter a boca saudável!


20
julho
2015
A Odontopediatria preventiva

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A Odontologia atual, tanto no âmbito da saúde pública como na privada, preconiza a prevenção como sendo a opção de tratamento mais importante no seu paciente, ou seja, o trabalho de motivação e promoção de saúde devem começar antes da criança/adulto ter qualquer problema bucal, ao invés do que acontecia antigamente, em que as pessoas de uma maneira geral só frequentavam o consultório odontológico quando tinham alguma doença, sendo praticado portanto, uma Odontologia exclusivamente curativa.

Na Odontopediatria, o sucesso da prevenção tanto no consultório como em casa, está na motivação dos pais e da criança quanto à escovação dos dentes. É muito importante o diálogo e a explicação do desenvolvimento das doenças bucais (em especial à cárie), sendo fundamental para a compreensão da importância dos métodos preventivos, ou seja, a criança frequentar o consultório “somente” para escovar os dentes.

Acontece que esse “somente” é o ponto de início de todo um trabalho educativo que o profissional Odontopediatra realiza na criança, mudando todo o seu estilo de vida, e quem sabe, o seu futuro, já que sabemos que o sorriso é a porta de entrada para qualquer relação, seja profissional ou pessoal. Gosto de pensar que somos educadores, além de dentistas, e sinto muito orgulho disso! Vamos então mergulhar no mundo da prevenção? :)

A consulta preventiva é a mais importante de todo o tratamento porque é o momento em que os pais tiram todas as dúvidas que possuem quanto à higienização e alimentação da criança (alimentos com potencial cariogênico). As dúvidas são diversas: desde qual tipo de escova comprar, a quantidade de creme dental que deve ser utilizado e o uso do flúor ou não (essa é uma dúvida que ainda persiste entre os pais). Respondendo essas últimas perguntas: As escovas dentais devem ser de cerdas macias e cabeça pequena, de forma que irão “caber” na boquinha da criança; alguns fabricantes produzem escovas grandes demais e inapropriadas para a anatomia da cavidade bucal infantil, dificultando a higienização; portanto mamães e papais, sempre fiquem atentos quanto à isso! O tamanho do cabo também pode variar de acordo com a faixa etária da criança.

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Mas em que idade deve-se começar a escovar os dentes? Entendemos que as crianças devem iniciar a escovação a partir do momento em que erupcionam os dentinhos, utilizando a partir desse momento escova infantil e creme dental COM flúor a partir de 1.100 ppm (preconizado pela Associação Brasileira de Odontopediatria) utilizando a medida de um grão de arroz cru para crianças que não sabem cuspir e um grão de ervilha para crianças que sabem; essa medida irá prevenir a fluorose, que é a principal preocupação que os profissionais tem quanto ao uso do flúor. Acontece que já foi comprovado cientificamente a importância do mesmo na prevenção da doença cárie, reduzindo em mais de 50% a incidência de lesões, portanto se os pais utilizarem a medida corretamente não haverá nenhum tipo de prejuízo.

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A quantidade de vezes em que a criança deve escovar os dentes também é um questionamento que os pais sempre tem, e o ideal seria que ela higienizasse sempre depois das refeições, em especial quando ingerir alimentos com potencial cariogênico (açúcar).

Nas consultas preventivas, normalmente o profissional também orienta os pais e a criança quanto à técnica de escovação mais adequada para a sua faixa etária, explicando de uma forma lúdica como os dentinhos devem ser escovados (movimento do trenzinho, da bolinha, da vassourinha…). Isso prende a atenção da criança e ajuda a fixar os movimentos na hora em que ela vai escovar sozinha em casa!

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Existe ainda toda uma gama de informações a serem divulgadas, pois a consulta preventiva é muito rica, por isso é tão valiosa no consultório! Para os demais esclarecimentos, visite um Odontopediatra para tirar as suas dúvidas, afinal a consulta em tempo regular é importantíssima para manter a motivação na criança e a garantia de um mundo sem cárie!