Tia Roberta Odontopediatra » maternidade
19
junho
2017
Outras coisinhas mais: Big Little Lies

613_1024x411

Quem tem HBO, corre pra assistir essa série! Assisti recentemente e simplesmente viciei. A série de quatro capítulos (para a nossa tristeza, é muito curta e quem faz maratonas como eu vai assistir em um dia e ficar com gostinho de quero mais rsrsrs) é baseada na obra homônima da escritora Liane Moriarty; eu ganhei o livro da minha sogra, e devorei ele no feriado da Semana Santa. Quando terminei, fiquei doida pra assistir a série, só que aqui em casa não tinha HBO na época. Claro, que no domingo de Páscoa, lá estava eu ligando pra NET pedindo pra aumentar o meu pacote de canais…kkkkk

episode-01-1920

Pra começar, a série conta com três super estrelas hollywoodianas: Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley. Cada uma delas interpreta lindamente o papel de mães cujos filhos frequentam a mesma escola em uma cidade paradisíaca da Califórnia chamada Monterrey (no livro, a história acontece em um cenário semelhante, só que é na Austrália). As edições das cenas, trilha sonora e fotografia são de tirar o fôlego! Claro, o controle de qualidade das séries da HBO é de outro nível. A trama gira em torno de um assassinato (calma, não dei spoiler porque isso se mostra logo na primeira cena da série) que acontece em uma festa da escola promovida para os pais, onde os homens vão vestidos de Elvis Presley e as mulheres de Audrey Hepburn. A partir daí, começa o desenrolar de toda a história.

Big-Little-Lies-You-Get-What-You-Need-1x07-promotional-picture-big-little-lies-tv-series-40342368-1280-720

Cada uma dessas personagens possui uma realidade diferente, como mãe e como mulher. Uma delas, por exemplo, é super rica, super bonita, mãe de gêmeos idênticos, possui um lindo marido, e uma casa espetacular. Mas não é nem um pouco feliz. A outra é mãe solteira, rala pra sustentar o filho, e vive com a sombra de um grande trauma na sua vida. E a outra tem um casamento aparentemente estável, uma filha de um relacionamento anterior, e uma veia para brigar com as outras mães da escola – em especial com a personagem Renata Klein, interpretada pela querida Laura Dern. Gente, essa série é cheia de atores topíssimos!

0217_big-little-lies

Eu e meu marido resolvemos assistir em um final de semana, e claro, maratonamos loucamente com pipoca. Na segunda-feira de manhã, lá estava eu indo trabalhar com a trilha sonora da série já devidamente baixada no meu Apple Music rsrsrs. Como sou do tipo que quando gosta de um livro/filme/série, lê/assiste várias e várias vezes até enjoar, sei que vou acabar assistindo de novo a série qualquer hora dessas (seriously, consigo até citar falar das cenas de Grey’s Anatomy e Friends, acrescentando as músicas que estavam tocando na hora e tudo mais).

Boas novas! Quem não tem HBO, mas tem NET, eles disponibilizaram a série no NOW até agosto. Então coooorrreeeeee! :)

 


17
março
2017
Outras coisinhas mais: O quarto de Jack

o-quarto-de-jack---sobre-o-amor-de-mae-o-mais-puro.html

Hoje vou usar o meu espaço “Outras coisinhas mais” para falar sobre um filme que mostra a maternidade de forma bem crua e intensa. Não é um filme novo, assisti ele pela primeira vez no ano passado, mas hoje acabei assistindo novamente, e mais uma vez fiquei emocionada por tudo que ele representou pra mim. Alguém mais amou e sofreu com O quarto de Jack?

É um filme adaptado do livro O quarto,  que retrata o lado leoa da mãe, quando ela faz o que for preciso e se submete a qualquer tipo de dor pelo seu filho. A atuação da atriz que representa a Joy, a mulher que foi capturada ainda adolescente e colocada em um cativeiro, conseguiu me tocar de uma forma bem intensa (não é a toa que ela ganhou o Oscar do ano passado). A situação a qual ela cria o Jack, o seu filho, em um quarto minúsculo e escuro, com apenas uma janela no teto para iluminá-los, é uma lição de maternidade e amor, pois ela não deixa ele sofrer, e ensina a ele que existe um mundo bonito por trás de todo o trauma em que ambos vivem. Mesmo tendo sido sequestrada, violentada, e dessa violência, ter concebido essa criança, ela o ama acima de tudo, e não deixa ele perceber o quanto a vida deles é limitada e triste.

Ela cria um mundo próprio para os dois em que eles se exercitam, cantam músicas, estudam, brincam e cuidam um do outro. O Jack ama esse mundo, mesmo sendo horrível para quem está assistindo o filme. Ele encara o mundo lá fora como imaginário, algo que pertence a uma caixa (a televisão), onde ele não pode ir. Ele está bem com essa situação, pois o Quarto é o único mundo que ele conhece. Os elementos lúdicos do filme aparecem para nos confortar do nosso desespero enquanto estamos assistindo essas cenas, como a personagem Dora e os seus poucos brinquedos, além da cena do aniversário dele, que abre o filme. Momento dentista: quem é da área com certeza vai ficar aflito com a cena em que ela perde o dente que estava incomodando-a há vários dias. Ela não poderia ir a um dentista, já que o seu sequestrador não permite ela sair do Quarto, então ficou convivendo com essa dor até que o dente saiu por conta própria (aí nessa hora pensamos logo em infecção + reabsorção alveolar + mobilidade acentuada = perda do dente! Um terror paralelo rsrsrs). Quando eles conseguem sair desse cativeiro (spoiler mode on!), ele rejeita o mundo novo que passa a conhecer, ele prefere voltar ao cativeiro. É uma luta para os dois conviverem com a nova realidade, assim como para a família deles, que achava que ela estava morta.

o-quarto-de-jack-filme-resenha

Até onde o ser humano, e principalmente, uma mãe, consegue tolerar e se sacrificar em prol da sua cria? Eu acredito que esse foi o ponto que mais me tocou. Não cheguei a ler o livro, mas quem leu me contou que é muito mais tocante e detalhista em relação ao mundo que ambos criaram, a um ponto até que chega a confundir se realmente eles estão tristes ou não naquele ambiente, o que me retorna ao pensamento: o poder de uma mãe em não deixar nada atingir o seu filho, ao ponto dela mesma precisar forjar uma felicidade inexistente para não deixar que qualquer sofrimento chegue até ele é impressionante. Alguns pontos que me deixaram nervosa durante o fime: a claustrofobia constante com aquele ambiente minúsculo em que eles moravam (só de pensar já começo a hiperventilar rsrsrs), e a cena em que o Jack está fora do Quarto, não sabia se torcia por ele ou se chorava de medo dele se perder pra sempre da mãe. A cena do reencontro deles me deixou em lágrimas…

O Quarto de Jack é um dos meus filmes favoritos! Normalmente não sou muito fã de filmes tristes, mas ele não me deixou exatamente triste, me deixou mais emocionada e grata pela força da mulher e pelo dom de poder ser mãe um dia (instinto materno mode oooonrsrsrs). Com certeza o meu lado “leoa” foi ativado!

PS: O que acham da inclusão de resenhas dos meus livros e filmes favoritos na seção “Outras coisinhas mais“? Acho que traz mais leveza e descontração falar de assuntos diversos entre as postagens profissionais! :) Sou uma leitora e cinéfila intensa, são os meus dois maiores hobbies quando não estou trabalhando, além de fazer caminhada, cozinhar e escrever. Vou tentar me ater aos temas que falam de crianças e maternidade! Porque os filmes e romances sobre dentistas são extremamente limitados inexistentes! Risos.

 


3
julho
2015
Odontologia neonatal e para bebês
O assunto que eu vou abordar hoje é super bacana e interessante, não só pra quem é da área, mas também para mamães e gravidinhas; a Odontologia neonatal e para bebês! Nós, Odontopediatras, também participamos no momento mais sublime da vida de uma mãe e o seu bebê: o nascimento. O profissional atua no ambiente hospitalar, fazendo acompanhamento no puerpério de bebês, tanto no alojamento conjunto, como na unidade de médio risco ou na UTI neonatal, também prestando acompanhamento em bebês com necessidades especiais e prematuros.
O profissional presta apoio e amparo nos cuidados de rotina dessa fase, como no manejo do aleitamento materno (analisando as condições de sucção, respiração e deglutição), e também na possível detecção de anomalias bucais do recém-nascido, como dentes natais e neonatais, anquiloglossia, fissuras labiopalatais, nódulos de Bohn, dentre outras).
Dentes Natais e Neonatais:
dente natal
Uma nas anomalias bucais vistas com mais frequência são os dentes natais e neonatais. Os dentes natais são aqueles que estão presentes no nascimento da criança, ou seja, ela nasce com dentes (geralmente, não são mais de dois, e os mais acometidos são os incisivos inferiores), enquanto os dentes neonatais são aqueles que erupcionam ao longo dos 30 dias de vida do neonato. Esses dentinhos que erupcionam com alta precocidade podem ser da série normal ou supranumerários, ou seja, são dentes a mais que erupcionam na boca, ultrapassando a contagem padrão de 20 dentes decíduos (de leite). Quando se descobre a presença desses dentinhos, deve-se fazer uma tomada radiográfica para descobrir esse dado, e decidir se devemos removê-lo ou não. Quando o dente está com mobilidade, independente de ser de série ou não, devemos realizar a extração desse dentinho, pois a falta de estabilidade do elemento na boquinha do bebê pode gerar uma possível deglutição ou aspiração, o que é pior.
Nódulos de Bohn:
nodulos de bohn
Outro grupo de lesões frequentes na cavidade bucal do neonato são os nódulos de Bohn, que caracterizam-se por serem nódulos (como se fossem bolinhas esbranquiçadas) localizados nos rodetes gengivais, tendo preferência na região ântero-superior. Normalmente, a conduta é fazer um acompanhamento pelo Odontológo, pois a tendência é o desaparecimento dos mesmos.
Pérolas de Epstein:
perolas de epstein
As pérolas de Epstein também classificam-se como nódulos císticos que possuem características clínicas semelhantes aos nódulos de Bohn, porém tem menor prevalência e localizam-se preferencialmente na região palatina (no céu da boca).
Fissuras Labiopalatais:
fissuras labiopalatais
As fissuras labiopalatais são anomalias de caráter mais sério, e ocorrem devido à malformações no período embrionário (entre a quinta e a décima segunda semana de vida intrauterina). Essas fendas são encontradas com mais frequência na região do lábio superior e do palato (céu da boca), portanto, acometem geralmente o osso da maxila. Elas podem ser somente teciduais, não envolvendo os ossos, como também como acometer toda a estrutura óssea dessa região. As fissuras labiopalatais podem estar ligadas à fatores genéticos e síndromes.
Lesão de Riga-Fede:
riga fede
Esta lesão, cujo nome foi dedicado aos pesquisadores que a descobriram, apresenta-se como uma ulceração traumática na porção ventral da língua (embaixo da língua), provocada pela presença dos dentes natais/neonatais, estando essas duas anomalias, portanto, ligadas. A dor dessa ulceração pode provocar no bebê desidratação, dificuldades na amamentação, além de aumentar o potencial de infecção na área.
Cisto de Erupção:
cisto de erupcao
É um cisto cuja lesão envolve a coroa de um dente ainda não irrompido (ou seja, um dente que ainda não nasceu mais está prestes a nascer), podendo ser da série normal ou supranumerário, decíduo (de leite) ou permanente, formando uma espécie de “bolha” em cima dos dentes que encontram-se nesse estágio. Quando o cisto se prolonga e não ocorre a irrupção do dente, provocando uma retenção na erupção do mesmo, a conduta mais adequada é remover cirurgicamente o cisto.
Hematoma de Erupção:
hematoma de erupcao
É uma variação do cisto de erupção que é hemorrágica, ou seja, dentro da bolha do cisto contém sangue, dando à lesão uma cor azulada ou arroxeada, como se fosse um hematoma mesmo. A conduta de tratamento é semelhante.
Anquiloglossia (Língua presa):
anquiloglossia
Caracteriza-se pela união da ponta da língua ao soalho bucal, a parte mais inferior da boca, provocando uma dificuldade na movimentação da língua, pois a mesma fica presa. Essa limitação motora provoca deficiência ou impossibilidade na amamentação, alimentação, fonação e desenvolvimento dos maxilares. Visto isso, hoje em dia já foi decretado como Lei o “Teste da Linguinha”, o qual o neonato passa por uma avaliação se a sua língua encontra-se presa ou não, devendo realizar cirurgicamente, a frenectomia lingual (cirurgia que remove essa união), em casos de teste positivo.
Existem ainda diversas lesões e anomalias que acometem neonatos e bebês, porém as de maior prevalência encontram-se nestes dois posts. Para maiores informações, consultem a literatura que trata a respeito de Odontologia para Bebês! Super indico o livro “Manual de Odontologia para Bebês”, que usei como referência bibliográfica para a elaboração desse post.
livro manual