Tia Roberta Odontopediatra » nutrição infantil
3
fevereiro
2016
Hidratação infantil

Oi gente!

drinking-water

Hoje vou falar sobre a necessidade de hidratação dos nossos pequenos. Nem preciso comentar o quanto estamos todos sofrendo com as altas temperaturas nessa época do ano, né? Aprendi recentemente em uma leitura que fiz sobre algumas restrições e regrinhas básicas que devem ser seguidas em relação à ingestão de líquidos das crianças (leia-se água, sucos, etc) e resolvi passar essas informações aqui pra vocês, no intuito de que passem adiante essa informação para as mamães no consultório ou então apliquem no dia-a-dia dos seus filhotes!

Em termos de hidratação infantil, a água vence por unanimidade nos conceitos dos especialistas, sendo o seu consumo, portanto, incentivado o máximo possível. Percebe-se que no dia-a-dia corrido, os pais, por se cansarem da insistência exaustiva com os filhos de tomarem água, acabam recorrendo à outros líquidos para garantir a sua hidratação, mas eles não devem ser vistos como substitutos, pois muitos, como o suco natural da fruta, por exemplo, não são indicados a bebês até 1 ano. É muito importante que saibamos quais dessas bebidas devemos utilizar como aliadas sem prejudicar a nutrição da criançada.

Sabe-se amplamente que, até os primeiros 6 meses, a única alimentação do bebê deve ser o leite materno, e a água está dispensada. A partir de 6 meses, ela torna-se essencial, para garantir as funções corretas dos sistemas do nosso organismo. Dos 7 aos 12 meses, a água deve ser ingerida na quantidade de 800ml fracionados em pequenas quantidades ao longo do dia, devendo portanto ser oferecida constantemente pelos pais/responsáveis. Após completar 1 ano, a demanda da água aumenta para 1.300ml por dia, permanecendo nessa quantidade até os 3 anos. Dos 3 aos 8 anos essa quantidade aumenta novamente, para 1.700ml.

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Mas e os sucos naturais? Os sucos devem ser evitados antes do bebê completar 1 ano, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Essa precaução se dá pelo fato de que os sucos concentram muita frutose, o açúcar natural das frutas, induzindo o organismo a produzir muita insulina, o que pode vir a contribuir para o desenvolvimento de diabetes e obesidade no futuro. A frutinha amassada e na forma de papa pode ser consumida com tranquilidade. Ao completar 1 ano e até os 3, a criança pode consumir cerca de 100ml a 150ml de suco por dia (parece ser pouco, mas lembre que o estômago do seu bebê é pequenino em comparação ao seu). Aproveite as frutas da estação, e procure variar sempre, pois isso ajuda a desenvolver o paladar do seu bebê. Evite adoçar os sucos, mas caso seja necessário, opte pelo açúcar orgânico demerara ou mascavo, mas lembre que esse “inofensivo” açúcar pode provocar a doença cárie caso não seja feita a higienização adequada após a sua ingestão (não é porque o tema não é de “dentes” que eu não vou puxar a orelha de vocês hehehe). Após os 3 anos, a quantidade de suco ingerida pode ser aumentada para 200ml a 240ml.

fresh cut green coconut with water splash on white

A água de coco é uma delícia, mas não deve ser oferecida como substituta da água. Lembrem-se que, apesar de saudável, ela possui uma alta quantidade de glicose, e calorias em excesso. Porém, quando ingerida com moderação, a água de coco é muito benéfica, pois é rica em minerais, como potássio e fósforo. Ela deve ser incluída na conta de mililitros permitidos de suco, e não na de água, como às vezes os adultos pensam.

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O suco industrializado não deve ser uma opção antes dos 3 anos especialmente, pois tem grande concentração de açúcar. Após os 3 anos, deve-se liberar em ocasiões especiais – como festas de aniversário e viagens – mas não devem ser ingeridos na rotina da casa. O café e chás também não são opções consideradas adequadas para crianças, principalmente o café por se tratar de um estimulante com a cafeína. Se você insistir no café para o seu filho, insira na sua rotina a partir dos 3 anos, mas em pequena dose, pequena mesmo – um ou dois goles no máximo. A partir dos 6 anos, a criança pode tomar em doses maiores, mas ainda com moderação – uma xícara por dia é o limite. Os chás não agregam valor nutricional na dieta da criança, mas são amplamente utilizados para fins terapêuticos, como os clássicos hortelã, camomila ou erva-doce (esses são considerados seguros), mas a quantidade também deve ser dosada com cautela.

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Refrigerante, não preciso nem falar, né gente? Não tem valor nutricional nenhum, e é riquíssimo em açúcar (RISCO DE CÁRIE NOTA MIL!). Recomenda-se que não dê a bebida para os pequenos menores que dois anos, e após essa idade, caso queira dar, que seja somente em eventualidades messsssmo (aniversários, etc). Convença-se dos malefícios e abandone essa ideia de dar refrigerante ao seu filhote! Se você é “refém” do refrigerante como eu fui (me permito atualmente só um copinho nos sábados, que é quando como alguma coisinha mais gorda, tipo uma pizza, por exemplo. Nos domingos, já estou firme e forte na minha reeducação alimentar! Foi assim que consegui encontrar o equilíbrio para ESQUECER o refrigerante na minha vida! O meu objetivo final é nem tomar mais esse copinho), aconselho você a se libertar desse terrível mal da humanidade, assim como eu fiz!

Bom pessoal, o que eu queria falar sobre hidratação infantil fica por aqui. Para mais dúvidas, consultem os profissionais de sua confiança. Esclarecer antes de iniciar qualquer hábito, é fundamental!

Beijos!


3
julho
2015
Odontologia neonatal e para bebês
O assunto que eu vou abordar hoje é super bacana e interessante, não só pra quem é da área, mas também para mamães e gravidinhas; a Odontologia neonatal e para bebês! Nós, Odontopediatras, também participamos no momento mais sublime da vida de uma mãe e o seu bebê: o nascimento. O profissional atua no ambiente hospitalar, fazendo acompanhamento no puerpério de bebês, tanto no alojamento conjunto, como na unidade de médio risco ou na UTI neonatal, também prestando acompanhamento em bebês com necessidades especiais e prematuros.
O profissional presta apoio e amparo nos cuidados de rotina dessa fase, como no manejo do aleitamento materno (analisando as condições de sucção, respiração e deglutição), e também na possível detecção de anomalias bucais do recém-nascido, como dentes natais e neonatais, anquiloglossia, fissuras labiopalatais, nódulos de Bohn, dentre outras).
Dentes Natais e Neonatais:
dente natal
Uma nas anomalias bucais vistas com mais frequência são os dentes natais e neonatais. Os dentes natais são aqueles que estão presentes no nascimento da criança, ou seja, ela nasce com dentes (geralmente, não são mais de dois, e os mais acometidos são os incisivos inferiores), enquanto os dentes neonatais são aqueles que erupcionam ao longo dos 30 dias de vida do neonato. Esses dentinhos que erupcionam com alta precocidade podem ser da série normal ou supranumerários, ou seja, são dentes a mais que erupcionam na boca, ultrapassando a contagem padrão de 20 dentes decíduos (de leite). Quando se descobre a presença desses dentinhos, deve-se fazer uma tomada radiográfica para descobrir esse dado, e decidir se devemos removê-lo ou não. Quando o dente está com mobilidade, independente de ser de série ou não, devemos realizar a extração desse dentinho, pois a falta de estabilidade do elemento na boquinha do bebê pode gerar uma possível deglutição ou aspiração, o que é pior.
Nódulos de Bohn:
nodulos de bohn
Outro grupo de lesões frequentes na cavidade bucal do neonato são os nódulos de Bohn, que caracterizam-se por serem nódulos (como se fossem bolinhas esbranquiçadas) localizados nos rodetes gengivais, tendo preferência na região ântero-superior. Normalmente, a conduta é fazer um acompanhamento pelo Odontológo, pois a tendência é o desaparecimento dos mesmos.
Pérolas de Epstein:
perolas de epstein
As pérolas de Epstein também classificam-se como nódulos císticos que possuem características clínicas semelhantes aos nódulos de Bohn, porém tem menor prevalência e localizam-se preferencialmente na região palatina (no céu da boca).
Fissuras Labiopalatais:
fissuras labiopalatais
As fissuras labiopalatais são anomalias de caráter mais sério, e ocorrem devido à malformações no período embrionário (entre a quinta e a décima segunda semana de vida intrauterina). Essas fendas são encontradas com mais frequência na região do lábio superior e do palato (céu da boca), portanto, acometem geralmente o osso da maxila. Elas podem ser somente teciduais, não envolvendo os ossos, como também como acometer toda a estrutura óssea dessa região. As fissuras labiopalatais podem estar ligadas à fatores genéticos e síndromes.
Lesão de Riga-Fede:
riga fede
Esta lesão, cujo nome foi dedicado aos pesquisadores que a descobriram, apresenta-se como uma ulceração traumática na porção ventral da língua (embaixo da língua), provocada pela presença dos dentes natais/neonatais, estando essas duas anomalias, portanto, ligadas. A dor dessa ulceração pode provocar no bebê desidratação, dificuldades na amamentação, além de aumentar o potencial de infecção na área.
Cisto de Erupção:
cisto de erupcao
É um cisto cuja lesão envolve a coroa de um dente ainda não irrompido (ou seja, um dente que ainda não nasceu mais está prestes a nascer), podendo ser da série normal ou supranumerário, decíduo (de leite) ou permanente, formando uma espécie de “bolha” em cima dos dentes que encontram-se nesse estágio. Quando o cisto se prolonga e não ocorre a irrupção do dente, provocando uma retenção na erupção do mesmo, a conduta mais adequada é remover cirurgicamente o cisto.
Hematoma de Erupção:
hematoma de erupcao
É uma variação do cisto de erupção que é hemorrágica, ou seja, dentro da bolha do cisto contém sangue, dando à lesão uma cor azulada ou arroxeada, como se fosse um hematoma mesmo. A conduta de tratamento é semelhante.
Anquiloglossia (Língua presa):
anquiloglossia
Caracteriza-se pela união da ponta da língua ao soalho bucal, a parte mais inferior da boca, provocando uma dificuldade na movimentação da língua, pois a mesma fica presa. Essa limitação motora provoca deficiência ou impossibilidade na amamentação, alimentação, fonação e desenvolvimento dos maxilares. Visto isso, hoje em dia já foi decretado como Lei o “Teste da Linguinha”, o qual o neonato passa por uma avaliação se a sua língua encontra-se presa ou não, devendo realizar cirurgicamente, a frenectomia lingual (cirurgia que remove essa união), em casos de teste positivo.
Existem ainda diversas lesões e anomalias que acometem neonatos e bebês, porém as de maior prevalência encontram-se nestes dois posts. Para maiores informações, consultem a literatura que trata a respeito de Odontologia para Bebês! Super indico o livro “Manual de Odontologia para Bebês”, que usei como referência bibliográfica para a elaboração desse post.
livro manual