Tia Roberta Odontopediatra » odontopediatra
30
junho
2016
Monilíase (ou Sapinho, ou Candidíase…)

Wow!

Quanto tempo sem passar por aqui! Pra quem tinha uma meta de posts semanais, eu estou de “parabéns”…quase 2 meses sem postar! :/ A partir de agora, não farei mais promessas que não conseguirei cumprir. E não vou nem jogar a culpa na rotina corrida, falta de tempo, blá blá blá…tempo eu tenho, só passei por um período de preguiça mesmo.

Mas vamos ao que interessa!

Hoje vou falar sobre a monilíase, uma patologia bastante comum em recém-nascidos e na infância, de uma maneira geral. Conhecida popularmente como “sapinho”, a monilíase é um fungo que, quando afeta bebês, atrapalha consideravelmente o processo de alimentação, o que pode prejudicar uma das fases de desenvolvimento mais importantes da vida da criança. O microrganismo causador dessa doença é a Candida albicans, portanto o seu nome também pode ser identificado como candidíase, como também é comumente conhecido.

Candidose.

A lesão da monilíase caracteriza-se como placas esbranquiçadas, cuja remoção é bem fácil, porém provocando sangramento e aspecto de ferida na região onde é removida. Ela é de fácil contaminação, sendo portanto transmissível pelo contato direto, via saliva, uso de utensílios domésticos, pelo beijo, e até pela vagina da mãe para a orofaringe do recém-nascido no momento do parto. Além da região bucal, a lesão pode afetar a pele e o trato gastrointestinal, vaginal e urinário, podendo até ser fatal em casos mais raros e extremos.

Quando a mãe estiver amamentando um bebê com lesão de candidíase, o consumo de açúcar deve ser reduzido significativamente, ou até eliminado por completo, pois o fungo tende a se proliferar na presença do alimento. Aconselha-se também a redução ou eliminação do consumo de gorduras. Os hábitos de higiene devem ser extremamente minuciosos, tomando as precauções de lavar adequadamente as mamadeiras e chupetas, e no caso do lactente, manter os seios maternos sempre limpos.

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A medicação deve ser aplicada tanto na cavidade bucal do bebê como no seio da mãe, sendo administrado um antifúngico do tipo miconazol ou nistatina (consulte sempre o seu médico/dentista antes de utilizar qualquer medicação no seu bebê!), lembrando que a persistência dessa lesão pode ser um dos primeiros sinais bucais de contaminação pelo vírus do HIV (relembre do meu post sobre Aids pediátrica aqui).

Tia Roberta


9
dezembro
2015
Os benefícios da amamentação do ponto de vista odontológico

amamentação

O estímulo do aleitamento materno é fundamental e imprescindível do ponto vista odontológico, pois não somente afeta osfatores nutricionais e psicológicos, mas também estimula a respiração nasal e o desenvolvimento dos músculos faciais, proporcionando uma harmonia e amadurecimento bucal e tonicidade muscular. A articulação temporomandibular também é altamente desenvolvida. Problemas como respiração bucal, maloclusão (atresia dos maxilares), mordida cruzada, mordida aberta e apinhamento dentário são amenizados quando a amamentação ocorre corretamente, pois a mesma resulta em uma promoção de espaço adequado para a erupção dos dentes.

A criança ao nascer apresenta a mandíbula localizada distalmente em relação à maxila; com a amamentação natural, a mandíbula recebe um posicionamento em que fica anteriorizada, e alguns músculos do grupo mastigatório (temporal, que exerce a movimentação de retrusão, o pterigoideo lateral, que exerce a movimentação de propulsão, e o milo-hióideo, que exerce a função de deglutição) passam a iniciar a sua maturação e reposicionamento. A língua estimula o palato, inibindo uma ação acentuada dos músculos bucinadores, e o músculo orbicular dos lábios promove uma orientação de crescimento e desenvolvimento da região anterior. Como é possível notar, essa movimentação de rebaixamento, anteroposteriorização e elevação mandibular durante o aleitamento materno proporcionam um crescimento ósseo, induzindo a relação maxilo-mandibular a uma posição mesiocêntrica, o que favorece, mais uma vez, o posicionamento adequado dos rodetes gengivais, preparando-os para uma posição ideal no momento de erupção dos dentes decíduos; sendo assim, o ato de amamentar caracteriza-se, do ponto de vista ortodôntico, como uma verdadeira prática preventiva!

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Baseado em todos esses fatores citados acima, podemos dizer que a Odontopediatria trabalha a favor da AMAMENTAÇÃO! E na opinião da Tia Roberta a amamentação prolongada, conforme a recomendação do Ministério da Saúde (até 2 anos ou mais) é um ato extremamente saudável e de amor, e indico a todas as mamães que tiverem o desejo de fazê-lo, desde que claro, sigam as recomendações adequadas quanto à higiene bucal.

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Referências bibliográficas: Manual de Odontologia para BebêsLuiz Reynaldo de Figueiredo Walter.


16
julho
2015
As células-tronco e o futuro da Odontopediatria

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A situação é a seguinte: imagine se fosse possível a reparação ou regeneração de qualquer órgão ou tecido danificado do nosso corpo? Imagine se você pudesse curar o seu filho de alguma doença extremamente grave por meio de um armazenamento de células? Parece um filme de ficção, mas não é. Hoje em dia é considerado já uma realidade, e está cada vez mais próximo de nós. Essa possibilidade está baseada no estudo das células-tronco. Sabe-se amplamente que as células-tronco – um tipo celular que tem a capacidade de se transformar e se multiplicar em qualquer outro tipo celular do corpo humano – atualmente dispara nas pesquisas científicas mundiais como uma possível salvação para as doenças que mais matam no mundo – como o câncer, por exemplo.

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Os seus estudos se iniciaram por volta da década de 60, mas a explosão e avanço de suas pesquisas se deu somente na década de 90 (por isso ainda é tão novo e tão pouco esclarecido!), com o uso de células-tronco da medula óssea. Mais tardiamente, foi testada a coleta das mesmas no cordão umbilical e os seus resultados positivos propagaram-se no mundo todo. Hoje em dia, existem empresas destinadas unicamente à essa coleta no momento do parto e preservação por meio de criogenia (congelamento), cuja finalidade desse armazenamento baseia-se em uma segurança, um investimento que os pais estariam fazendo aos seus filhos, prevenindo assim a possibilidade dos mesmos sofrerem com alguma doença em que precisem de regeneração tecidual.

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Mas porque estamos falando desse assunto em uma coluna de Odontopediatria? Porque atualmente foi descoberta uma população de células-tronco na polpa dentária de dentes humanos, ou seja, a Odontologia faz parte também desse avanço científico tão importante. Essas células-tronco especificamente, ao serem isoladas das demais células dos dentes, apresentavam a capacidade de regenerar o complexo dentino-pulpar injuriado, dando origem a odontoblastos (células dos dentes) cuja função primordial foi formar o tecido dentário; foi dada uma atenção especial às células-tronco dos dentes decíduos (dentes de leite), que apresentaram resultados mais positivos, o que propicia ao Odontopediatra um diferencial e uma referência para a coleta desses dentinhos, quando for necessário. O armazenamento dos dentes para regeneração tecidual não está aberto à população, pois ainda está em fase laboratorial. Os resultados dos estudos ainda não são 100% seguros, e todo o mecanismo da reparação tecidual por meio de células-tronco ainda precisa ser amplamente estudado e pesquisas adicionais são fundamentais para a credibilidade do mesmo, mas já tornam-se um início para a evolução humana e a terapia definitiva das doenças que afetam milhares de pessoas ao redor do planeta.

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É importante lembrar que durante anos a Odontologia usa materiais artificiais para recuperar o elemento dentário, e que a possibilidade de recuperar esses tecidos por meio das células-tronco constitui um marco, o que designa ao Odontopediatra o dever de conhecer os conceitos básicos sobre as células-tronco, bem como manter-se atualizado sobre as pesquisas e perspectiva de uso das mesmas, informando aos seus pacientes e à população de uma maneira geral que um futuro revolucionário na Odontologia está mais próximo a cada dia.