Tia Roberta Odontopediatra » odontopediatra
9
julho
2015
O meu filho quebrou o dente! E agora? (parte 2)

Bom, vamos continuar com o tema de traumatismo dentário! Nesse post abordaremos os tipos de traumas dentários em que o impacto é muito forte, acometendo os tecidos dentários e os periodontais. Eles são todas as partes que mantém o dente fixo ao osso maxilar e mandibular:

 

Concussão:

Ocorre quando um impacto agudo acomete o dente, havendo um sangramento das fibras do ligamento periodontal devido a um pequeno rompimento das mesmas, mas esse sangramento não é exteriorizado, sendo esse tipo de trauma o mais brando de todos os que envolvem os tecidos periodontais. Normalmente quando os responsáveis não estão presentes, ele não é nem percebido, pois não muda anatomicamente em nada o dente, exceto em alguns casos quando ocorre alteração de cor da coroa, o que indica o trauma. Algumas vezes pode acontecer dor durante a mastigação e ao toque, e não ocorre nenhum tipo de mobilidade.

concussao

Subluxação: 

É o resultado de um impacto mais forte nos dentes, havendo um rompimento maior nas fibras do ligamento periodontal, sendo assim, apresenta um leve sangramento na área da gengiva e mobilidade aumentada, porém não tem deslocamento. Existe dor quando se faz qualquer contato com o dente.

subluxacao

Luxação extrusiva:

É quando o dente sai parcialmente do alvéolo, parecendo estar alongado, e com grande mobilidade. Dependendo da situação, pode haver sangramento.

extrusiva

Luxação lateral:

É um dos traumas mais comuns na Odontopediatria. É quando o dente é deslocado para frente ou para trás, podendo também ser para os lados. Ocorre sangramento abundante, também podendo ocasionar fraturar no osso alveolar.

luxacao lateral

Luxação intrusiva:

É quando o dente se desloca para dentro do osso, parecendo encurtado, ou seja, menor que o dente do lado. Dependendo da força do impacto, o dente pode até entrar completamente, sumindo no osso alveolar.

intrusiva

Avulsão:

Na avulsão, o dente sai totalmente do osso alveolar, indo até pra fora da boca. O sangramento é abundante. Nesses casos, deve-se tomar muito cuidado com a manipulação do dente quando for encontrado. Casos de avulsão de dente permanente são os mais graves. Quando o dente é permanente, pode-se tentar reposicioná-lo, mas quando é decíduo, deve-se evitar para não trazer injúrias no germe do permanente.

avulsao

Traumatismos nos ossos de suporte:

São muito comuns em acidentes de alto impacto, como automobilísticos e de esportes radicais. Os ossos de suporte são os ossos que sustentam os dentes (maxila e mandíbula). Normalmente os sintomas são dificuldades em mastigar e/ou engolir, edema local, dor, sensação de dormência no local, travamento da boca, assimetria facial, etc. Caso haja a suspeita desse tipo de fratura, a vítima deve ser levada ao hospital urgentemente para confirmar essa suspeita por meio de radiografias, e ser atendida por um cirurgião buco-maxilo-facial.

Espero que tenham gostado! Não abordei o tratamento de forma muito ampla, pois não é o foco do post, e sim, alertar aos pais e mães sobre o que fazer e qual tipo de conduta tomar perante um trauma dentário. Usei como referência bibliográfica tanto para esse post como para o anterior o livro Primeiros socorros para os seus filhos: Traumatismo dentário! Ele é de fácil leitura, bem ilustrado e baratinho! Vale a pena investir! Beijos!

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3
julho
2015
Odontologia neonatal e para bebês
O assunto que eu vou abordar hoje é super bacana e interessante, não só pra quem é da área, mas também para mamães e gravidinhas; a Odontologia neonatal e para bebês! Nós, Odontopediatras, também participamos no momento mais sublime da vida de uma mãe e o seu bebê: o nascimento. O profissional atua no ambiente hospitalar, fazendo acompanhamento no puerpério de bebês, tanto no alojamento conjunto, como na unidade de médio risco ou na UTI neonatal, também prestando acompanhamento em bebês com necessidades especiais e prematuros.
O profissional presta apoio e amparo nos cuidados de rotina dessa fase, como no manejo do aleitamento materno (analisando as condições de sucção, respiração e deglutição), e também na possível detecção de anomalias bucais do recém-nascido, como dentes natais e neonatais, anquiloglossia, fissuras labiopalatais, nódulos de Bohn, dentre outras).
Dentes Natais e Neonatais:
dente natal
Uma nas anomalias bucais vistas com mais frequência são os dentes natais e neonatais. Os dentes natais são aqueles que estão presentes no nascimento da criança, ou seja, ela nasce com dentes (geralmente, não são mais de dois, e os mais acometidos são os incisivos inferiores), enquanto os dentes neonatais são aqueles que erupcionam ao longo dos 30 dias de vida do neonato. Esses dentinhos que erupcionam com alta precocidade podem ser da série normal ou supranumerários, ou seja, são dentes a mais que erupcionam na boca, ultrapassando a contagem padrão de 20 dentes decíduos (de leite). Quando se descobre a presença desses dentinhos, deve-se fazer uma tomada radiográfica para descobrir esse dado, e decidir se devemos removê-lo ou não. Quando o dente está com mobilidade, independente de ser de série ou não, devemos realizar a extração desse dentinho, pois a falta de estabilidade do elemento na boquinha do bebê pode gerar uma possível deglutição ou aspiração, o que é pior.
Nódulos de Bohn:
nodulos de bohn
Outro grupo de lesões frequentes na cavidade bucal do neonato são os nódulos de Bohn, que caracterizam-se por serem nódulos (como se fossem bolinhas esbranquiçadas) localizados nos rodetes gengivais, tendo preferência na região ântero-superior. Normalmente, a conduta é fazer um acompanhamento pelo Odontológo, pois a tendência é o desaparecimento dos mesmos.
Pérolas de Epstein:
perolas de epstein
As pérolas de Epstein também classificam-se como nódulos císticos que possuem características clínicas semelhantes aos nódulos de Bohn, porém tem menor prevalência e localizam-se preferencialmente na região palatina (no céu da boca).
Fissuras Labiopalatais:
fissuras labiopalatais
As fissuras labiopalatais são anomalias de caráter mais sério, e ocorrem devido à malformações no período embrionário (entre a quinta e a décima segunda semana de vida intrauterina). Essas fendas são encontradas com mais frequência na região do lábio superior e do palato (céu da boca), portanto, acometem geralmente o osso da maxila. Elas podem ser somente teciduais, não envolvendo os ossos, como também como acometer toda a estrutura óssea dessa região. As fissuras labiopalatais podem estar ligadas à fatores genéticos e síndromes.
Lesão de Riga-Fede:
riga fede
Esta lesão, cujo nome foi dedicado aos pesquisadores que a descobriram, apresenta-se como uma ulceração traumática na porção ventral da língua (embaixo da língua), provocada pela presença dos dentes natais/neonatais, estando essas duas anomalias, portanto, ligadas. A dor dessa ulceração pode provocar no bebê desidratação, dificuldades na amamentação, além de aumentar o potencial de infecção na área.
Cisto de Erupção:
cisto de erupcao
É um cisto cuja lesão envolve a coroa de um dente ainda não irrompido (ou seja, um dente que ainda não nasceu mais está prestes a nascer), podendo ser da série normal ou supranumerário, decíduo (de leite) ou permanente, formando uma espécie de “bolha” em cima dos dentes que encontram-se nesse estágio. Quando o cisto se prolonga e não ocorre a irrupção do dente, provocando uma retenção na erupção do mesmo, a conduta mais adequada é remover cirurgicamente o cisto.
Hematoma de Erupção:
hematoma de erupcao
É uma variação do cisto de erupção que é hemorrágica, ou seja, dentro da bolha do cisto contém sangue, dando à lesão uma cor azulada ou arroxeada, como se fosse um hematoma mesmo. A conduta de tratamento é semelhante.
Anquiloglossia (Língua presa):
anquiloglossia
Caracteriza-se pela união da ponta da língua ao soalho bucal, a parte mais inferior da boca, provocando uma dificuldade na movimentação da língua, pois a mesma fica presa. Essa limitação motora provoca deficiência ou impossibilidade na amamentação, alimentação, fonação e desenvolvimento dos maxilares. Visto isso, hoje em dia já foi decretado como Lei o “Teste da Linguinha”, o qual o neonato passa por uma avaliação se a sua língua encontra-se presa ou não, devendo realizar cirurgicamente, a frenectomia lingual (cirurgia que remove essa união), em casos de teste positivo.
Existem ainda diversas lesões e anomalias que acometem neonatos e bebês, porém as de maior prevalência encontram-se nestes dois posts. Para maiores informações, consultem a literatura que trata a respeito de Odontologia para Bebês! Super indico o livro “Manual de Odontologia para Bebês”, que usei como referência bibliográfica para a elaboração desse post.
livro manual