Tia Roberta Odontopediatra » prevenção
20
julho
2015
A Odontopediatria preventiva

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A Odontologia atual, tanto no âmbito da saúde pública como na privada, preconiza a prevenção como sendo a opção de tratamento mais importante no seu paciente, ou seja, o trabalho de motivação e promoção de saúde devem começar antes da criança/adulto ter qualquer problema bucal, ao invés do que acontecia antigamente, em que as pessoas de uma maneira geral só frequentavam o consultório odontológico quando tinham alguma doença, sendo praticado portanto, uma Odontologia exclusivamente curativa.

Na Odontopediatria, o sucesso da prevenção tanto no consultório como em casa, está na motivação dos pais e da criança quanto à escovação dos dentes. É muito importante o diálogo e a explicação do desenvolvimento das doenças bucais (em especial à cárie), sendo fundamental para a compreensão da importância dos métodos preventivos, ou seja, a criança frequentar o consultório “somente” para escovar os dentes.

Acontece que esse “somente” é o ponto de início de todo um trabalho educativo que o profissional Odontopediatra realiza na criança, mudando todo o seu estilo de vida, e quem sabe, o seu futuro, já que sabemos que o sorriso é a porta de entrada para qualquer relação, seja profissional ou pessoal. Gosto de pensar que somos educadores, além de dentistas, e sinto muito orgulho disso! Vamos então mergulhar no mundo da prevenção? :)

A consulta preventiva é a mais importante de todo o tratamento porque é o momento em que os pais tiram todas as dúvidas que possuem quanto à higienização e alimentação da criança (alimentos com potencial cariogênico). As dúvidas são diversas: desde qual tipo de escova comprar, a quantidade de creme dental que deve ser utilizado e o uso do flúor ou não (essa é uma dúvida que ainda persiste entre os pais). Respondendo essas últimas perguntas: As escovas dentais devem ser de cerdas macias e cabeça pequena, de forma que irão “caber” na boquinha da criança; alguns fabricantes produzem escovas grandes demais e inapropriadas para a anatomia da cavidade bucal infantil, dificultando a higienização; portanto mamães e papais, sempre fiquem atentos quanto à isso! O tamanho do cabo também pode variar de acordo com a faixa etária da criança.

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Mas em que idade deve-se começar a escovar os dentes? Entendemos que as crianças devem iniciar a escovação a partir do momento em que erupcionam os dentinhos, utilizando a partir desse momento escova infantil e creme dental COM flúor a partir de 1.100 ppm (preconizado pela Associação Brasileira de Odontopediatria) utilizando a medida de um grão de arroz cru para crianças que não sabem cuspir e um grão de ervilha para crianças que sabem; essa medida irá prevenir a fluorose, que é a principal preocupação que os profissionais tem quanto ao uso do flúor. Acontece que já foi comprovado cientificamente a importância do mesmo na prevenção da doença cárie, reduzindo em mais de 50% a incidência de lesões, portanto se os pais utilizarem a medida corretamente não haverá nenhum tipo de prejuízo.

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A quantidade de vezes em que a criança deve escovar os dentes também é um questionamento que os pais sempre tem, e o ideal seria que ela higienizasse sempre depois das refeições, em especial quando ingerir alimentos com potencial cariogênico (açúcar).

Nas consultas preventivas, normalmente o profissional também orienta os pais e a criança quanto à técnica de escovação mais adequada para a sua faixa etária, explicando de uma forma lúdica como os dentinhos devem ser escovados (movimento do trenzinho, da bolinha, da vassourinha…). Isso prende a atenção da criança e ajuda a fixar os movimentos na hora em que ela vai escovar sozinha em casa!

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Existe ainda toda uma gama de informações a serem divulgadas, pois a consulta preventiva é muito rica, por isso é tão valiosa no consultório! Para os demais esclarecimentos, visite um Odontopediatra para tirar as suas dúvidas, afinal a consulta em tempo regular é importantíssima para manter a motivação na criança e a garantia de um mundo sem cárie!


16
julho
2015
As células-tronco e o futuro da Odontopediatria

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A situação é a seguinte: imagine se fosse possível a reparação ou regeneração de qualquer órgão ou tecido danificado do nosso corpo? Imagine se você pudesse curar o seu filho de alguma doença extremamente grave por meio de um armazenamento de células? Parece um filme de ficção, mas não é. Hoje em dia é considerado já uma realidade, e está cada vez mais próximo de nós. Essa possibilidade está baseada no estudo das células-tronco. Sabe-se amplamente que as células-tronco – um tipo celular que tem a capacidade de se transformar e se multiplicar em qualquer outro tipo celular do corpo humano – atualmente dispara nas pesquisas científicas mundiais como uma possível salvação para as doenças que mais matam no mundo – como o câncer, por exemplo.

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Os seus estudos se iniciaram por volta da década de 60, mas a explosão e avanço de suas pesquisas se deu somente na década de 90 (por isso ainda é tão novo e tão pouco esclarecido!), com o uso de células-tronco da medula óssea. Mais tardiamente, foi testada a coleta das mesmas no cordão umbilical e os seus resultados positivos propagaram-se no mundo todo. Hoje em dia, existem empresas destinadas unicamente à essa coleta no momento do parto e preservação por meio de criogenia (congelamento), cuja finalidade desse armazenamento baseia-se em uma segurança, um investimento que os pais estariam fazendo aos seus filhos, prevenindo assim a possibilidade dos mesmos sofrerem com alguma doença em que precisem de regeneração tecidual.

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Mas porque estamos falando desse assunto em uma coluna de Odontopediatria? Porque atualmente foi descoberta uma população de células-tronco na polpa dentária de dentes humanos, ou seja, a Odontologia faz parte também desse avanço científico tão importante. Essas células-tronco especificamente, ao serem isoladas das demais células dos dentes, apresentavam a capacidade de regenerar o complexo dentino-pulpar injuriado, dando origem a odontoblastos (células dos dentes) cuja função primordial foi formar o tecido dentário; foi dada uma atenção especial às células-tronco dos dentes decíduos (dentes de leite), que apresentaram resultados mais positivos, o que propicia ao Odontopediatra um diferencial e uma referência para a coleta desses dentinhos, quando for necessário. O armazenamento dos dentes para regeneração tecidual não está aberto à população, pois ainda está em fase laboratorial. Os resultados dos estudos ainda não são 100% seguros, e todo o mecanismo da reparação tecidual por meio de células-tronco ainda precisa ser amplamente estudado e pesquisas adicionais são fundamentais para a credibilidade do mesmo, mas já tornam-se um início para a evolução humana e a terapia definitiva das doenças que afetam milhares de pessoas ao redor do planeta.

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É importante lembrar que durante anos a Odontologia usa materiais artificiais para recuperar o elemento dentário, e que a possibilidade de recuperar esses tecidos por meio das células-tronco constitui um marco, o que designa ao Odontopediatra o dever de conhecer os conceitos básicos sobre as células-tronco, bem como manter-se atualizado sobre as pesquisas e perspectiva de uso das mesmas, informando aos seus pacientes e à população de uma maneira geral que um futuro revolucionário na Odontologia está mais próximo a cada dia.


13
julho
2015
O diário alimentar na Odontopediatria

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O Odontopediatra tem um papel muito forte na promoção de saúde bucal e no desenvolvimento de bons hábitos na vida da criança. Sendo assim, a orientação da alimentação e as suas modificações ao longo da vida, tal qual o controle de ingestão do açúcar devem ser feitos também pelo profissional, já que estes influenciam fortemente no desenvolvimento da cavidade bucal e também na instalação da doença cárie, que é o principal vilão da Odontologia e problema de saúde pública.

Normalmente o Odontopediatra solicita um diário alimentar aos pais do seu paciente que possui risco ou já possui cárie, a fim de investigar onde está ocorrendo o maior erro na alimentação, visto que a cárie é uma doença dependente da presença de placa bacteriana depositada no dente, esta que só se forma mediante a falta da escovação após a alimentação – em especial quando são ingeridos alimentos ricos em açúcar (sacarose). Sendo assim, o profissional solicita este diário com o principal objetivo de estabelecer estratégias e orientações específicas aos alimentos que fazem parte da rotina da criança, visando a contribuição para uma prática alimentar saudável.

A alimentação da criança é um espelho da alimentação dos pais, aliás, do núcleo familiar como um todo. O estilo de vida materno durante a gestação e nos primeiros meses de maternidade, incluindo os hábitos alimentares inadequados, é considerado um indicador de risco de cárie em crianças. A exposição aos alimentos, considerando a oferta e o acesso (deixar uma bombonière na mesa da sala próxima às crianças, por exemplo), quantidade de consumo diário e frequência, são fatores que influenciam na aceitação alimentar infantil, ou seja, as crianças desenvolvem o seu paladar baseado no paladar dos seus pais. E outro fator ainda mais importante: o paladar dela pode tornar-se mais aguçado para os doces, refrigerantes e fast food se ela for introduzida a esses alimentos antes dos dois anos, portanto cuidado papais e mamães que oferecem essas bobagens para os seus bebês!

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O doce faz parte da infância, das festinhas infantis e de momentos em família, claro. Mas não devem ser majoritários nesses momentos e nem consumidos diariamente, e sim, deixados para ocasiões especiais e finais de semana. E isso vale para toda a família, ok? Lembrem-se sempre: os filhos são o espelho dos pais! O mais importante no consumo controlado do açúcar é a frequência, por incrível que pareça. É muito pior a criança comer em doses pequenas o chocolate ao longo do dia inteiro ao invés de uma quantidade maior de uma vez só. Isso acontece porque a cada momento que ingerimos o doce, ocorre uma acidez na nossa boca, que é normalizada com o nosso próprio organismo que possui um sistema de defesa e também com a escovação com o uso do creme dental com flúor (a grande função do flúor é essa, normalizar o nosso pH). Então, se comermos o doce uma vez, iremos provocar essa acidez só uma vez. Mas se comermos várias vezes, mesmo que sendo pouquinho, iremos provocar essa acidez várias vezes, e aí o dente fica sujeito à atividade de cárie. É justamente esse tipo de orientação que daremos aos pais e ajustaremos o que for necessário quanto ao diário alimentar; eis a sua importância na Odontopediatria!

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A infância, de uma maneira geral, caracteriza-se por profundas modificações dietéticas em curtos períodos, sendo assim necessário sempre uma observação e coleta de informações alimentares, permitindo assim resultados positivos. Vejam bem, em momento algum o Odontopediatra substitui o trabalho do nutrólogo, nutricionista ou outra profissional que trabalha com orientação de alimentação. O foco de sua intervenção é na ingestão do açúcar em especial e na sua frequência, pelos motivos já citados anteriormente (controle da doença cárie). É muito importante que o profissional, ao deparar-se com uma criança que apresenta condições físicas e emocionais muito comprometidas e um diário alimentar extremamente pobre em valores nutricionais e rico em gorduras e açúcar, não só oriente os pais do seu ponto de vista odontológico como também encaminhe essa família à um profissional que trabalhe, de forma mais direta e eficiente, no estabelecimento de uma alimentação saudável, pois sabemos que a cárie é só a “ponta do iceberg” em uma criança sobrepeso ou obesa que enfrente fatores muito sérios como colesterol alto, risco de diabetes e doenças cardíacas, dentre outras condições de saúde que são as consequências desses tristes índices que aumentam cada dia mais no nosso país.